Proposta de uma “União Internacional Escolar Espírita” 01/10/1899

 

Periódico: AMAZONAS

Ano 26, num. 2080

Manaus, 1 de outubro de 1899, p. 2

[traduzido do espanhol]

Aos estudantes espíritas do mundo inteiro

Irmãos em crença,

Chegamos a um tempo certissimamente feliz, em que, graças às conquistas da humanidade que povoa nosso planeta, nós os moços que concorremos às aulas temos um critério próprio e não nos apegamos mais às ideias do professor pelo magister dixit, chegamos a um tempo em que o estudante pensa e discute, não atordoadamente, porém de acordo com os argumentos que lhe sugeriu a leitura atenta, a discussão entre eminências, ou a lógica incontestável dos fatos.

O entusiasmo pelas ideias que se adquire com o estudo, esse entusiasmo, patrimônio especial da juventude, e sobretudo da juventude escolar – faz-nos publicar as presentes linhas que tendem a pedir-vos nossa união internacional pela propaganda dessa sublime doutrina que professamos. Devemos sim marchar unidos na vanguarda do movimento espírita de nosso mundo, e de nossos espíritos devem jorrar correntes de simpatia e fraternidade, as quais só pode estabelecer a comunidade de crenças, sobretudo de crenças como a que temos a felicidade de professar.

Nossas aspirações devem convergir para um só ponto: a união para a propaganda. Mas, para tal conseguir, cumpre que nos conheçamos, quando mais não seja, ficando nossas impressões nas folhas de papel em que se [reflitam] todas as permutas de nosso espírito.

Propomos-vos a criação de comunicações internacionais, que nos ponham ao corrente de nossas decisões e dos resultados que alcancemos. Com este fim, praz-nos apresentar-vos as seguintes bases:

  1. A União Internacional Escolar Espírita propõe-se propagar a doutrina [compilada] por Allan Kardec, para cujo fim os estudantes espíritas das diversas nações que pertencem a esta União publicarão folhetos (que serão repetidos) sempre que o estado pecuniário o permita. Destes folhetos dever-se-ão fazer grandes tiragens.
  2. A direção da União não pertence a nenhuma nação.

Todos os estudantes espíritas são cosmopolitas e devem unicamente aderir a um grupo deles de sua respectiva nação (grupo que, em cada nação formarão unidos a federação nacional) para cumprir o desejo que anima os humildes iniciadores da ideia.

Esperamos que nossas legítimas esperanças não serão frustradas, e que todos vós respondereis ao chamado que vos fazem os estudantes espíritas de Barcelona.

Susum corda, scholastici! animum ne despondeatis.

Eamus ad Deum per Ano em et per Scientiam!

Barcelona, maio de 1890.

Pela Comissão: José Cembrano, Luiz Tarrat, Bernis Buenavetura Castelaro.

NOTA – Pede-se a todos os periódicos espíritas que reproduzam a anterior alocução e esta nota, visto seu caráter internacional. As adesões e respostas devem dirigir-se a D. Luis Tarrat, Baileu, 59; Barcelona, Espanha.



Para ver o documento original digitalizado clique aqui.


Notas do Arquivo Espírita:

1 – Este texto é bastante interessante pois revela uma passagem pouco conhecida da história do movimento espírita. Em maio de 1890, um grupo de jovens de Barcelona na Espanha se propôs a criar uma organização internacional de jovens espíritas. Escreveram um texto padrão, para ser traduzido e reproduzido em jornais de vários países com a ajuda de voluntários. Essa espécie de “corrente” continuou por pelo menos uma década, pois a encontramos sendo divulgada no jornal AMAZONAS de 1899.

2 – A imagem utilizada no início desta página não faz parte do documento original.


 

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