Resenha do livro “Jesus Perante a Cristandade” 19/11/1898

Periódico: O MUNICÍPIO – órgão da municipalidade de Curitiba

ano 2 – num. 50

19 de novembro de 1898 / p. 2

 

JESUS PERANTE A CRISTANDADE

Pedimos a atenção dos nossos leitores para o artigo que abaixo publicamos, que é a opinião do redator do jornal “O PAIZ”, sobre o grande livro Jesus Perante a Cristandade.

UM LIVRO ESPÍRITA

Jesus perante a Cristandade é o atraente título de um livro comunicado a um médium pelo espírito daquele que entre nós se chamou Bittencourt Sampaio.

O médium em questão possui uma inteligência comum, sem preparo que o habilite a produções de folego literário com é essa que temos sobre a mesa.

Não há dúvida alguma que uma obra deste quilate, revelando uma alta cultura, uma grande educação filosófica, um sagaz espírito de exegese, só podia ser concebida e executada por uma mentalidade poderosa, nunca pelo obscuro indivíduo que a ditou. Os cavalheiros que constituíram o grupo de trabalhos psíquicos a cujo esforço se deve a excelente obra de moral e de religião – considerando-se a palavra religião no seu sentido mais alto e mais profundo – são pela sua respeitabilidade pessoal, pela sua ilustração, merecedores do maior conceito e não será fácil a qualquer, nas circunstâncias aludidas, folhear com um sorriso de tolerância cética este volume verdadeiramente encantador.

Claro está que não entra nos intuitos desta despretensiosa notícia bibliográfica agitar a questão, tão debatida e cada vez mais imperiosa, da realidade das manifestações denominadas espíritas. Limitamo-nos simplesmente a assinalar que esta obra foi ditada por uma pessoa de insuficientíssimo estudo, incapaz de uma modesta elaboração literária, e que, dotada de uma forte faculdade mediúnica, produziu na realidade um admirável trabalho, onde a cada página se sente o perfume dessa carinhosa, fina e radiante alma que se chamou Bittencourt Sampaio, no seu trânsito pela terra.

Leiam esse livro, com ou sem fé na existência do fenômeno da mediunidade – que só se pode negar pelo mesmo apego à rotina, que fez uma academia de sábios condenar como embustes as experiências magnéticas – leiam-no todos e verão que belas e doces páginas essas que esplendidas doutrinas são ali apostoladas numa prosa de extraordinária delicadeza artística e de elevado sentimento filosófico.

Depois do incomparável livro de Léon Denis – Aprés mort, cujas lições valem por bálsamo na doçura benéfica, não lemos talvez uma obra que fosse como esta tão clara, tão penetrante, tão suavizadora.

É um livro que vale a pena ter à mesa de cabeceira, com tanto brilho e tanta sedução ele nos educa, nos aconselha e nos consola.



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NOTAS DO ARQUIVO ESPÍRITA:

  1. O jornal O Município apenas republicou o texto veiculado originalmente por O Paiz.
  2. A imagem utilizada no início desta página não faz parte do documento original.


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