Jornal de 1920 informa que Thomas A. Edison está desenvolvendo um aparelho para a comunicação com os mortos (24/10/1920)

PERIÓDICO: RICHMOND TIMES-DISPATCH

Domingo, 24 de Outubro de 1920, p. 63

Richmond, Virginia, Estados Unidos


Tradução do inglês feita pela equipe do ArquivoEspirita.org

PARA VER O TEXTO ORIGINAL DIGITALIZADO CLIQUE AQUI

….ou acesse o site da Biblioteca do Congresso Americano:

http://chroniclingamerica.loc.gov/lccn/sn83045389/1920-10-24/ed-1/seq-63/


O dispositivo do Sr. Edison para conversar com os mortos:

E por que o grande inventor acredita que as primeiras mensagens virão dos espíritos dos cientistas que aprenderam a usar a sua máquina

Os mortos vivem em um mundo além-túmulo?

Se assim for, será possível para aqueles no mundo dos espíritos se comunicarem com aqueles que ficaram para trás nesta terra? Assim como a comunicação entre pontos distantes em nosso mundo depende de dispositivos cuidadosamente construídos, assim também a comunicação do mundo espiritual com a nossa terra deve ser realizada através de instrumentos cientificamente construídos com uma engenhosidade e com uma sensibilidade muito maiores do que a do telégrafo, do telefone ou do rádio.

Esta é a crença de Thomas A. Edison, o principal inventor dos tempos modernos, que declarou recentemente que a questão da recepção de mensagens dos mortos é um problema para a ciência pura, e que ele está se esforçando para aperfeiçoar um aparelho que irá tornar possível gravar mensagens do mundo espiritual, se de fato existirem espíritos, e se eles desejarem se comunicar conosco. É a convicção do Sr. Edison que somente através de algum instrumento científico especialmente construído para esse fim, que uma mensagem dos reino dos mortos poderá chegar até nós, e que a primeira mensagem será de algum espírito de um cientista morto – algum expert em rádios, telégrafos ou um físico.

Ele considera absurdo o método atual de receber mensagens dos mortos por meio dos chamados “médiuns” espiritualistas. Alguns destes médiuns são fraudes descaradas, é claro, mas o Sr. Edison acha que muitos deles são entusiastas auto-hipnotizados que realmente acreditam estarem em contato com o mundo espiritual. Os equipamentos dos “médiuns” são grosseiros, não-científicos e inúteis. Nenhuma mensagem da terra dos espíritos jamais virá através de tal parafernália infantil, ele afirma.

Se o Sr. Marconi ou o próprio Sr. Edison naufragassem próximo a uma ilha deserta do Oceano Pacífico lhes seria inútil tentar fazer contato via rádio com algum equipamento estudantil de fundo de quintal de São Francisco. Mas poderia ser possível, se tivessem muita paciência e habilidade, atrair a atenção de uma das grandes estações de rádio de alta potência e sensibilidade da Marinha.

E assim é com um espírito desencarnado no mundo além-túmulo que possa estar buscando atrair a atenção da humanidade na terra. Ele teria que superar enormes dificuldades, sem dúvida, e ficaria totalmente impotente se tentasse aplicar os seus conhecimentos científicos através de qualquer um dos equipamentos grosseiros e pueris do “médium” espiritualista entusiasta mas ignorante. Mas ele pode ser capaz de fazer uso das ondas do éter ou de outras forças no universo se o Sr. Edison obtiver sucesso na criação de um dispositivo que registre chamadas de tal fonte. E esta é a tarefa na qual o Sr. Edison agora emprega a sua genialidade.  

A ciência já realizou tarefas de incrível dificuldade que não são, em alguns aspectos, muito diferentes do problema que o Sr. Edison tem diante de si. O calor de uma vela já foi medido a milhas de distância. O calor das estrelas mais distantes já foi registrado. Não apenas isso, mas agora pode-se classificar as estrelas como “jovens” ou “velhas” devido a instrumentos de maravilhosa sensibilidade. Todos sabem que o menor tremor de terra do outro lado do nosso globo é registrado por um pequeno e curioso instrumento chamado sismógrafo. No laboratório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) há uma pequena máquina através da qual é possível pesar a terra, e quando a guerra estava chegando ao fim um cientista americano desenvolveu um dispositivo que avisar da aproximação de um homem na noite mais escura – um instrumento tão sensível que no momento que um soldado aparecia com sua cabeça acima das trincheiras a centenas de pés de distância, o calor que irradiava de seu rosto dava um sinal instantaneamente.

Mas é claro que estes diferentes dispositivos não são de nenhum valor a uma pessoa que não os entende ou que não tenha sido treinada para usá-los. Se um advogado, médico, clérigo ou homem de negócios por os pés em um escritório de telégrafos no qual o operador esteja ausente, será impossível para ele fazer uso dos dispositivos para enviar uma mensagem através do fio. De modo semelhante, o Sr. Edison acredita que é altamente improvável que alguma pessoa não treinada tecnicamente seja capaz de fazer uso das forças da natureza, e dos dispositivos para controlá-las, depois de ter passado para o mundo além-túmulo.

Se for possível haver qualquer comunicação com os mortos deve-se presumir que aqueles que partiram ainda retêm no outro mundo pelo menos a faculdade da memória. Se existem espíritos, e eles têm memória, e desejam se comunicar com aqueles que deixaram para trás, será valioso para aqueles que passam para o próximo mundo levar com eles o pleno conhecimento do dispositivo que o Sr. Edison espera aperfeiçoar. Assim, um cientista ilustre como o próprio Sr. Edison, ao atingir a sua morada espiritual, estaria perfeitamente familiarizado com as qualidades do dispositivo e saberia quais forças seriam necessárias para pôr em funcionamento o mecanismo de gravação da máquina.

A maravilhosa nova invenção – ainda sem nome – que nos permite ver no escuro, detectar o calor corporal, e identificar a presença de corpos ou objetos que são totalmente invisíveis ao olho nu, foi desenvolvido por Samuel O. Hoffman, antigo membro da divisão de Pesquisa e Ciência do Exército dos Estados Unidos. Ela prestou serviço efetivo durante as semanas finais da grande guerra, e se tivesse sido aperfeiçoada anteriormente, sem dúvida, teria desempenhado um papel de destaque na derrota da Alemanha. Um meio de localizar tropas, trincheiras, artilharia, etc., disponíveis para apenas um dos lados, teria dado a esse lado uma vantagem crucial na guerra.

Como já se sabe há muito tempo, qualquer objeto emite uma grande quantidade de radiação, sendo que apenas uma pequena parte alcança nossos olhos. Esta radiação é o calor escuro comum, tal como se sente quando se coloca uma mão fria a cerca de uma polegada do rosto. Embora da mesma natureza genérica da luz, ela tem propriedades muito diferentes. Quase nenhuma substância é transparente a isso, sendo que o salite é a única de fácil obtenção. O vidro é particularmente opaco, de modo que os instrumentos ópticos comuns são inúteis. No entanto, imagens nítidas podem ser facilmente formadas usando espelhos côncavos de dimensões comuns, já que o real comprimento de onda desta radiação é suficientemente pequeno (1/2500 de polegada) para evitar problemas de difração.

O aparelho é constituído por um espelho côncavo montada num tripé. Este espelho concentra a radiação infra-vermelha do objeto na superfície enegrecida de uma termopilha, que consiste em fios minúsculos de bismuto e prata soldadas em conjunto. Esta junção enegrecida torna-se ligeiramente aquecida à medida que a radiação se concentrada nela. A corrente elétrica resultante, que flui por um galvanômetro montados em outro tripé, indica a presença de “algo quente”.

Sr. Edison ainda não está pronto para divulgar os detalhes de sua invenção ou revelar os princípios exatos envolvidos em sua operação. Ele, no entanto, disse o suficiente para levar à crença de que ele pretende alcançar este milagre moderno por meio de um maravilhoso “rádio espiritual” – uma adaptação para a comunicação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos da telegrafia sem fio agora em uso na Terra.

Esta tese se fundamenta na expectativa do Sr. Edison de que os primeiros espíritos que recorrerão ao meio de comunicação que ele vai oferecer-lhes serão homens e mulheres que, durante suas carreiras terrestres como telegrafistas ou cientistas, tornaram-se especialistas no uso de dispositivos sensíveis e correntes elétricas poderosas. Também é significativo que ele se refira à invenção em que ele está trabalhando como um “aparelho” – o mesmo termo que seria usado para descrever um equipamento de telégrafo sem fio com suas baterias, transmissores, receptores e antenas.

Tal “rádio espiritual” que o Sr. Edison está agora aperfeiçoando em seus laboratórios em Orange, NJ, marcará uma nova época na história da humanidade. A sua criação vai resolver para sempre a questão da imortalidade da alma. Se isso provar que os mortos vivem em um mundo além-túmulo e são capazes de se comunicar conosco quando meios adequados são oferecidos, o “rádio espiritual” acabará com os tabuleiros de ouija, as pranchetas, as cabines e transes dos médiuns, e todos os outros métodos primitivos e insatisfatórios agora empregados no esforço para perfurar o véu da morte.

Será que a terra estará repleta de estações de “rádio espiritual” onde os mortos poderão entrar em contato conosco tão prontamente quanto nossos amigos vivos o fazem através do telefone? Será que a nova invenção irá permitir-nos não só ouvir as vozes dos espíritos mas também vislumbrar suas formas fugazes?

Estas são perguntas que o Sr. Edison pode responder a qualquer momento para a eterna satisfação do mundo.

Se alguém pode resolver esse antigo problema e dar a confirmação científica à crença do homem na imortalidade, certamente essa pessoa é Thomas A. Edison. Em toda a sua carreira ele raramente, quiçá jamais, se dedicou a um problema que tenha sido demais para sua inteligência. Apesar de estar com setenta e três anos de idade ele ainda está ativo de mente e corpo e é capaz de trabalhar mais horas em seguida do que a maioria dos homens no auge da vida.

De que maneira ele poderia melhor coroar o seu orgulhoso currículo de serviço à humanidade do que através do aperfeiçoamento de um método pelo qual os espíritos dos mortos podem transmitir quaisquer mensagens quiserem para os amigos vivos que deixaram para trás?

—–

Imagem 1 – Fotografia de uma sessão mediúnica que o Sr. Edison acredita ser uma maneira não científica e absurda de se comunicar com os espíritos.  

Imagem 2 – O sismógrafo maravilhosamente sensível.

Imagem 3 – A pequena máquina que pesa a Terra.

Imagem 4 – É a crença do Sr. Edison que somente através de algum instrumento científico especialmente construído que uma mensagem do reino dos que partiram poderá ser recebida. 


 

Text in English:

Mr. Edison’s Instrument to Talk With the Dead:

And why the great inventor believes the first Messages will come from the spirits of scientists who have learned how to use his machine

Do the dead live in a world beyond the grave?

If so, is it possible for those in the spirit world to communicate with those left behind them on this earth? Just as communication between distant points on our earth is a matter of delicately constructed instruments, so also communication from the spirit world to our own earth must be accomplished through scientifically constructed instruments of even greater ingenuity and much more minute delicacy than the telegraph, the telephone or the wireless apparatus.

This is the belief of Thomas A. Edison, the foremost inventor of modern times, who has recently stated that the problem of receiving messages from the dead is a problem of pure science, and that he is endeavoring to perfect an apparatus which will make it possible to record messages from the spirit world if there are any spirits and if they desire to communicate with us. It is Mr. Edison’s belief that only through some specially constructed scientific instrument will a message ever come from the realms of the departed, and that it will be from some spirit of a dead scientist – some wireless expert or telegraph expert or physicist – that the first messages will come.

The present method of receiving pretended messages from the dead through so-called spiritualistic “mediums” Mr. Edison regards as absurd. Some of these mediums are barefaced frauds, of course, but he thinks that many of them are self-hypnotized enthusiasts who really believe that they are in touch with the spirit world. The appliances of the “mediums” are clumsy, unscientific and worthless. No message from spirit land can ever come through such childish paraphernalia, he asserts.

If Mr. Marconi or Mr. Edison himself were shipwrecked on a desert island of the Pacific Ocean it would be futile to try to establish wireless connection with some schoolboy outfit in a backyard in San Francisco. But it might be possible, with great patience and skill to attract the attention of one of the great, high-power, delicately constructed wireless stations of the navy.

And so it is with a disembodied spirit in the world beyond the grave who might be seeking to attract the attention of mankind on earth. He would have to overcome tremendous difficulties, no doubt, and would be utterly helpless in trying to apply his scientific knowledge through any of the clumsy, puerile equipment of the enthusiastic but ignorant spiritualistic “medium”. But he might be able to make use of waves of ether or other forces in the universe if Mr. Edison succeeds in setting up an instrument which would register calls from such a source. And this is the task which Mr. Edison has now set his genius to work at.  

Already science has undertaken tasks of incredible delicacy which are in some respects not unlike the problem which Mr. Edison has before him. The heat of a candle has been measured miles away. The heat of the most distant stars has been recorded. Not only this, but “young stars” are now distinguished from “old stars” by instruments of marvelous delicacy. Everybody knows that the slightest earth tremor on the other side of our globe is recorded by the curious little instrument called the seismograph. In the Massachusetts Institute of Technology (MIT) laboratory is a little machine in which it is possible to weigh the earth, and just as the war was coming to an end an American scientist developed and instrument which would give notice of the approach of a man in the darkest night – an instrument so delicate that the moment a soldier stuck his head above the trench hundreds of feet away across No Man’s Land the heat radiated from his face gave a signal instantly.

But, of course, these various instruments are of no value to a person who does not understand them or who has not been trained in the use of them. If the average lawyer, doctor or clergyman or business man stepped into a telegraph office while the operator was absent it would be impossible for him to make use of the instruments to send a message over the wire. And similarly Mr. Edison believes that it is highly unlikely that anybody not technically trained will be able to make use of the forces of nature and the instruments for controlling them after he had passed into the world beyond the grave.

If there is to be any communication from the dead it must be assumed that the departed still retain at least the faculty of memory in the next world. If there are spirits and they have memory and wish to communicate with those left behind, it will be a valuable thing for those who pass into the next world to carry with them full knowledge of the instrument which Mr. Edison hopes to perfect. Thus a distinguished scientist like Mr. Edison himself, upon reaching his spirit abode, would be perfectly familiar with the qualities of the instrument and would know what forces were necessary to set in motion to operate the recording apparatus of the machine.

The wonderful new invention – as yet unnamed – which enables us to see in the dark, to detect their bodily heat alone the presence of bodies or objects which are entirely invisible to the naked eyes, was developed by Samuel O. Hoffman, formerly of the Science and Research division of the United States Army. It rendered effective service during the closing weeks of the great war, and if it had been perfected earlier it would undoubtedly have played a leading part in the defeat of Germany. A means of locating troops, trenches, artillery, etc., available to one side alone, would have given that side a preponderant advantage in the war.

As has long been known, every object emits a large quantity of radiation, only a small part of which affects the eye. This radiation is the ordinary dark heat, such as is felt on bringing the cold hand an inch or so in front of the face. While of the same general nature as light, it has quite different properties. Hardly any substances are transparent to it, rock salt being the only one easily obtainable. Glass is particularly opaque, so that ordinary optical instruments are useless. However, sharp images can be easily formed by using concave mirrors of ordinary dimensions, as the actual wave-length of this radiation is sufficiently small (1/2500 inch) to obviate trouble from diffraction.

The apparatus consists of a concave mirror mounted on a tripod. This mirror concentrates the object’s infra-red radiation on the blackened surface of a thermopile, consisting of minute wires of bismuth and silver soldered together. This blackened junction becomes slightly heated as the radiation is concentrated on it. The resulting electrical current, flowing through a galvanometer mounted on another tripod, indicates the presence of “something warm”.

Mr. Edison is not yet ready to divulge the details of his invention or reveal the exact principles involved in its operation. He has, however, said enough to lead to the belief that he plans to accomplish this modern miracle by means of a wonderful “spirit wireless” – an adaptation to communication between the world of the living and the world of the dead of the wireless telegraphy now in use on this earth.

Support of this view is given by Mr. Edison’s expectation that the first spirits to avail themselves of the means of communication he will offer them will be men and women who, during their earthly careers as telegraphers or scientists, became expert in the use of delicate instruments and powerful electrical currents. It is also significant that he refers to the invention on which he is at work as an “apparatus” – the same term which would be used to describe a wireless telegraph outfit with its batteries, transmitters, receivers and lofty aerial towers.

Such a “spirit wireless” as Mr. Edison is now perfecting at his laboratories in Orange, N. J., will mark a new epoch in the history of mankind. Its establishment will settle for all time the question of the soul’s immortality. If it proves that the dead do live on in a world beyond the grave and are able to communicate with us when supplied with suitable means, the “spirit wireless” will do away with the ouija boards, the slates, cabinets and trances of the mediums, and all the other crude, unsatisfactory methods now employed in the effort to pierce the veil of death.

Will the earth soon be dotted with “spirit wireless” stations where the dead may get in touch with us as readily as our living friends do over the telephone? Will the new invention, perhaps, enable us not only to hear the voices of the spirits, but to catch fleeting glimpses of their wraith-like forms?

These are questions which Mr. Edison may be answering any day now to the world’s everlasting satisfaction.

If anyone can solve the ages-old problem and give scientific confirmation to man’s belief in immortality, surely it is Thomas A. Edison. In all his career he has seldom if ever attacked a problem that has proved too much for his genius. Although seventy-three years old he is still active in mind and body and able to work more hours at a stretch than most men in the prime of life.

How better could he crown his proud record of service to humanity than by perfecting a method by which the spirits of the dead can transmit whatever messages they may have for the living friends they have left behind?

Picture 1 – Photograph of a medium’s seance which Mr. Edison thinks is an unscientific and absurd way to communicate with spirits.  

Picture 2 – The wonderfully delicate seismograph.

Picture 3 – The little machine which weighs the Earth.

Picture 4 –  It is Mr. Edison’s belief that only through some specially constructed scientific instrument will a message ever come from the realms of the departed.

 



O ARQUIVOESPIRITA.ORG é um repositório digital de documentos relativos à história do espiritismo.  

Caso tenha algum documento antigo que tenha relação com o espiritismo, por favor entre em contato conosco pelo e-mail arquivoespirita@gmx.com , ou por nossa página no Facebook.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *