Relato de sessão espírita realizada na presença daquele que seria o 8º presidente do Brasil, Hermes da Fonseca, com materializações e psicofonia

Periódico: Humildade

Rio de Janeiro, ano 1, n.2

Janeiro de 1907 , p. 3

 

FATOS

Ata da sessão extraordinária realizada pelo “Apostolado Espírita Caridade nas Trevas”, em sua sede à rua de Santo Henrique, 34d, Fabrica das Chitas, no dia 28 de agosto de 1898.

Às 8 horas da noite, presentes os membros do apostolado e os irmãos Guilherme Vianna, Júlio Vianna, (do Grupo Espírita Caridade e Instrução), Manoel Joaquim Moreira Maximino, Carlos Torres Rangel, Alfredo da Silva Vianna, Hermes da Fonseca, Dr. J.C. F. Nascimento, Alfredo Alexander, José Pereira Dias, Eduardo Ballard, Edgard Ballard e Antônio Brandão Júnior, o presidente (Arthur Vianna) faz um uma breve alocução sobre Moisés, depois do que faz uma prece e abre a sessão em nome de Deus.

É recebida pelo médium Gigi, a seguinte comunicação inicial.

“Paz queridos filhos! É com imenso prazer que vos vemos sentados à vossa mesa de trabalho procurando confortar aqueles que se debatem nas agonias da dor.

“Hoje é para vós um grande dia, pois representa a passagem deste espírito que se chama Moisés.

“Fazer o seu panegírico é dispensável, pois vós bem o conheceis; fazer votos de perfeita união entre ele e vós, sim, é o nosso mais ardente desejo.

“ E para que sempre possais ser aureolados com a sua luz divinal, é que os vossos guias pedem para vós – Paz – Amor – e União – sem o que, meus filhinhos, nada podereis alcançar aí na Terra e nem preparar-vos para as delícias eternas.

“Paz seja convosco, e nós aqui nos achamos para auxiliar-vos nos vossos trabalhos.

“Vossos Guias: Antônio de Pádua, Rita de Cássia, Vicente de Paula e Luiz Gonzaga.”

O médium Gigi recebe o nosso presidente espiritual – Décio – que diz:

“Filhos, tende fé que tereis Caridade, tende Caridade que tereis Amor, e tende Amor que tereis salvação.

“Filhos, o Senhor Jesus em sua misericórdia, designou-me para hoje, dia tão cheio de alegrias, presidir vossos trabalhos. Peço, portanto, ao pai de amor que me conceda a graça de vos deixar ver um pouco daquilo que tantas vezes vos tenho falado, e que para os instrumentos tenham a necessária força – Deus vos dê Fé.

“Diminuam o quanto possam a luz, para o efeito ser mais pronto e menos fatigante. Somente necessitamos de luz que nos deixe ver os movimentos.

“Aqui fico ao vosso lado e peço que fiquem de pé com a mão sobre a mesa, e ao médium vidente que preste bem atenção quando se manifestar o fenômeno.”

Depois de todos de pé, ele, Décio, diz pelo lápis e por Gigi: Diminuam mais a luz” – e manda que Arthur coloque a mão sobre o pescoço do médium. Isto feito, Antônio, mediunizado começa como que a derramar fluidos sobre Gigi.

Aí, Décio manda, ainda pelo lápis que Arthur faça pressão no pescoço de Gigi que, tossindo, como que engasgada, deixa cair de seus lábios pétalas de rosas encarnadas (sic) [materializadas]que são por todos vistas e admiradas.

Décio, escrevendo por Gigi diz: Agora vejam as do chão”. Com efeito, no assoalho havia muitas outras pétalas também de rosa encarnada (sic) e duas folhas verdes da mesma.

Continuando diz Décio: “diminuam outra vez a luz e fiquem de pé. O médium Hermes dê as mãos ao médium Gigi. Depois, se verificarão fenômenos à distância. Pelo menos três”.

Depois de algum tempo (pouco), Décio manda que nos sentemos e que se aumente a luz e diz:

Filhos, o segundo já se deu, ou antes segundo e terceiro. Logo se verá. Eu quero mesmo fazer os possuidores saberem o que levam. Logo eles verão. O primeiro já está com o objeto e o segundo vai ter; e o outro ver-se-á a meu pedido e é em lugar tão delicado que só mesmo trabalho fluidico. Meus filhos, deveis estar satisfeitos e mais ainda ficareis logo.

“Passaremos agora a oferecer ao nosso amado Moisés uma flor – a flor da Caridade: vamos elucidar um espírito”.

Em seguida, manifesta-se um espírito, consciente de seu estado e até quase experimentando raiva por ver que seus amigos da Terra e do espaço lhe atribuem maldades que ele não pratica.

Diz que sabe não ser um espírito elevado, mas que assegura sob palavra, que nunca fez mal a ninguém e nem é capaz de fazê-lo, e que lhe dói e lhe perturba o lhe fazerem imputações caluniosas, com que está se precipitando no abismo.

Aconselhado pelo presidente, faz uma prece e diz sentir que volta a razão, que está mais calmo e aclarado. Então, dá-se a conhecer a alguns presentes e retira-se dizendo chamar-se Magno.

Em seguida o nosso bom Moisés manifestando-se sonambulicamente por Gigi diz:

Paz seja entre todos. Queridos filhos, não podia deixar de agradecer-vos tanta e tão boa vontade que empregastes no dia de hoje, comemorando a minha passagem do vosso planeta.

“Sinto-me feliz e repleto de alegria, pois vi consumar-se o pedido que fizeram para vós.

“Sinto-me ainda mais feliz por ser neste dia erguida uma fronte que pendia talvez para o abismo; e foi esta, sem dúvida, a melhor flor que me oferecestes.

“Eu a deporei aos pés do Cristo, pedindo para vós a Paz o Amor e o desprendimento das coisas materiais, pedindo também luz para vossos espíritos para que possais ter sempre, como hoje, a felicidade que tivestes.

“Eu vos agradeço do fundo de minha alma a dedicação e o amor que revelastes para com este vosso humilde amigo.”

Em seguida retira-se.

O médium Gigi recebe o nosso presidente espiritual que diz:

Filhos, deveis estar bem satisfeitos. Agora cumpre encerrar os vossos trabalhos.

Muitos são os espíritos que vos queriam falar, mas por um só médium é impossível. Rendei, portanto, graças ao Pai de Amor que vos outorgou tantas felicidades em tão pouco tempo. Décio.”

Continuando diz:

Faço ver aos meus amigos Antônio e Alexander que não é correto ficar com o que lhes não pertence.”

Querendo algumas pessoas saber se era no bolso que se achavam os objetos ele disse:

não, estão nas cabeças (chapéus que estavam no andar superior do prédio, quando os trabalhos se efetuavam no porão) eu não disse que seriam fenômenos à distância? Vão verificar e para os gatunos, prisão. E no relógio (dirigindo-se para Arthur) da parede no qual ainda hoje destes corda, vejam se encontram alguma coisa que o devia fazer parar, mas que, entretanto, não fez.

“Bem, a primeira parte dos nossos trabalhos coube ao médium Gigi, auxiliado por Antônio e um pouco Arthurizado; a segunda pelos médiuns Gigi e Hermes, os que se verificarão. Mas olhem todos, que é um furto. Paz. Adeus.

O médium Pereira disse que quando se deu o fenômeno das rosas, ele viu um espírito tirar uma de uma mesa próxima e Décio deitá-la na boca de Gigi; viu uma outa vir de mais longe, e outras cujas pétalas deviam pertencer a duas rosas.

Rendendo graças a Deus, encerrou-se a sessão às 10 horas e 10 minutos da noite.

Encerrada a sessão subiram os presentes ao andar superior onde se encontrou no forro do boné de Antônio uma medalhinha de prata portuguesa; no chapéu de Alexander, também no forro, uma medalhinha de prata inglesa, moedas estas pertencentes a Gigi e se achavam fechadas na gaveta de seu toalete.

O terceiro fenômeno era alguma coisa fluídica que estava no relógio, objeto, que Antônio ao abrir o relógio pegou, deixando cair e desaparecendo em seguida.

Antônio diz ter levado um choque elétrico ao tocar no objeto. Por ser verdade, é esta ata assinada por todos os presentes.



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Nota do Arquivo Espírita: A imagem no início dessa página é  um retrato do presidente Hermes da Fonseca e não faz parte do documento original.


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