Sessão de desobsessão no grupo “José” em 6/7/1896, publicada em 25/05/1898

Periódico: Religião Espírita – Ano I Número 06

Rio de Janeiro, 25 de maio de 1898

Explicação

Algumas pessoas têm mandado nos perguntar se Lídia ficou curada da pretensa loucura diagnosticada ao começo da enfermidade por seu distinto médico assistente. Cumpre-nos declarar categoricamente que sim; como se depreende da comunicação de Romualdo em sessão cuja ata vai publicada em outro lugar desta folha, e sem remédios de farmácia desde que principiaram os trabalhos espiríticos [espíritas].

Lídia, pois, ficou completamente curada e na integridade de suas faculdades mentais, tornamos a afiançar, desde que viu-se livre de seus obsessores até à sua desencarnação que se deu pouco depois, a 27 de julho como fora predito pelo glorioso espírito de José em sessão de 27 de junho (ver o número da Religião Espírita) ; permitindo-lhe o seu perfeito estado assistir ainda a algumas sessões espíritas antes de morrer.

Não temos atestado médico com todos os requisitos legais do facultativo que ao princípio a assistiu, como é fácil de prever, nem de outro também energicamente materialista, que familiarmente acompanhava a cura visitando-a quase cotidianamente; mas corroboram o que afiançamos os atestados verbais dignos de toda a fé, de todas as pessoas de família de Lídia e de outras conhecidas que a visitavam constantemente por interesse de amizade e de viva curiosidade.

Comunicações

(…) da sessão do grupo José celebrada no dia 6 de julho de 1896, com o fim de continuar-se a executar as instruções dadas pelo espírito protetor de André Gonçalves da Graça na sessão do mesmo grupo no dia 27 de junho do mesmo ano, cuja ata foi publicada no número 4 da Religião Espírita.

Às sete horas da noite, presentes os membros do grupo, [e] os médiuns P. e L. e a irmã M. L., recentemente convertida à religião espírita, o presidente depois de erguer a prece inicial abre a sessão em nome de Deus.

O médium L. obtém a seguinte comunicação escrita:

Meus filhos,

Que a graça de Deus seja convosco. Trabalhai com fé, pois que não está longe a vitória, e as alegrias, os cânticos sublimes deverão dar júbilo aos trabalhadores da boa causa.

Deus onipotente está sempre com seus filhos amados, aqueles que Nele creem e esperam.

Sede firmes em vossas crenças; constantes em vossos trabalhos e Ele vos amparará e recompensará.

Nós vos ajudaremos, filhos muito amados de nossos corações, Jesus estará também convosco para vos ajudar.

Amor, caridade, fé e esperança, sublimes virtudes que enchem a alma de doces alegrias do Céu, enchei os corações desses trabalhadores humildes da Vinha do Senhor!

José, Romualdo, Justus, Paulo, Clara, Maria, Vicente de Paula, André

O médium P. faz a seguinte descrição de vidência:

– Vejo em torno de nós muitos espíritos adiantados. Distingo junto à presidência José, Romualdo, Justus, Paulo, Daniel, André, Carlos. Dois espíritos atrasados se acham dentro do círculo formado pela concentração; um é preto e já idoso, o outro é pardo e regula meia idade.

Depois desta exposição oral, o mesmo médium P. toma o lápis e recebe a seguinte comunicação:

Paz, meus amigos.

Venho prevenir-vos de que necessitais hoje mais do que nunca ter muita concentração e toda a boa vontade, pois os irmãos que se acham hoje junto de vós são um pouco endurecidos e não conhecem o amor por seus semelhantes. Trabalhai cheios de fé e de amor e nós vos auxiliaremos. Fazei que vossos pensamentos não saiam de Deus, para que vossos trabalhos corram bem.

Deus vos abençoe.

Vosso amigo,

Oscar

Erguida uma prece pelos espíritos sofredores, manifesta-se depois dela e pelo médium P. um infeliz que dá um grande murro na mesa e fazendo esforços como de quem quer se livrar de que o amarrem, cruza os pulsos sobre a mesa como [se estivesse] verdadeiramente maniatado e da mesma forma os pés, e, enraivecido diz:

– Arre… não pude fazer a boa… não pude fazer o que queria.

O presidente o saúda em nome de Deus e pergunta-lhe:

– Que mal quereríeis me fazer, meu irmão?

– Queria atirar com essa porcaria no chão e ver se é bom incomodar a gente.

– E por que incomodais aquela irmã que sofre tantos maus tratos vossos?

– Eu não incomodo ninguém.

O presidente doutrina-o no sentido de perdoar essa irmã que ele tanto atormentava, de qualquer falta que ela houvesse cometido prejudicando-o, assim como Jesus perdoou a todos que o maltrataram, e não fazer tanto mal como ele fazia essa irmã padecer.

– Qual Jesus? Jesus não está cá em nossas conversas.

O presidente continua a dar-lhe conselhos no mesmo sentido, e o espírito enfurecido a fazer esforços para livrar-se dos laços que o amarravam.

– Me desamarrem – diz ele com ar de desanimado e como de quem tem tensão oculta – quero brincar com esse sujeitinho (Oscar).

O presidente diz que ele estava preso em nome de Deus e por ato de sua misericórdia para lhe impedir de cometer maiores males.

– Então Ele que está me prendendo aqui? E dizem que Ele é bom! … Eu não ia fazer mal nenhum a outro. É em ti mesmo (voltando-se para o presidente) e nesse sujeitinho (dirigindo-se a alguém no espaço, sem dúvida, Oscar). Queria socá-los bem. Que mal tenho feito eu e meus companheiros? É por causa dessa porcaria. Ah, não poder [sic] eu sair daqui!…

O presidente recomenda-lhe acalmar-se e prometer fazer o bem e não o mal.

– Nunca fiz o bem.

O presidente procura provocar-lhe o amor filial, falando-lhe de sua mãe e pedindo-lhe de lembrar-se dos conselhos que sem dúvida ela lhe havia dado quando pequeno.

– Qual mãe? Nunca tive mãe (diz o espírito com um arremesso de quem ainda estava encolerizado).

O presidente procura ainda comovê-lo por esse lado sensível e diz:

– Não vos lembrais desses conselhos porque vosso coração está endurecido pelos vossos desregramentos, mas, em breve vos lembrareis deles.

– Qual [Que] endurecido!… Minha mãe era uma peste que me rejeitou.

O presidente toma por assunto de doutrinação o perdão que todo filho deve conceder a uma mãe que delinque em seu prejuízo, e a piedade com que deve agasalhá-la em seu seio.

– Qual piedade – diz o espírito – se ela não teve piedade me enjeitando [sic] eu ei de ter dela?

– Sim – diz o presidente – é aí que está o mérito de quem vence o ódio e as más paixões, pagando com o bem a quem nos fez mal.

– Fazer bem a quem nunca me fez? Qual [Que] história.

O presidente chama a atenção do espírito para clemência de Jesus suportando todos os sofrimentos a bem da regeneração da humanidade e dando o perdão a todos aqueles que o maltrataram.

– Ele sofreu porque foi tolo.

– Ele assim o fez para nos dar o exemplo sublime da piedade e para nos salvar do erro.

– Estou vendo todos salvos! – diz o espírito em ar de mofa.

O presidente continua a doutrinar e o espírito começa a mostrar-se inquieto e depois aflito, como se um agente físico o incomodasse.

– Agora tenho uma porção de gafanhotos – interrompe o espírito a doutrinação do presidente e voltando-se para alguém no espaço diz: – Sai pirralho (Oscar)! Se eu estivesse com as mãos soltas de tava uns cascudos.

O presidente diz ao espírito que essa criança (Oscar) era um mensageiro de Deus e que vinha investido de suficiente poder para provar a infinita misericórdia do Senhor e o seu poder infinito.

O espírito dá mostras de admirado, e como se alguma coisa extraordinária se passasse [consigo].

– E este pirralho (Oscar) ainda teve o desaforo de dizer “Se queres, te desamarro”.

Nesse instante os braços do médium pendem verticalmente, como demonstrando a libertação completa do espírito desse infeliz, e contudo, sem poder erguê-los como se uma força superior ainda os dominassem por aniquilamento.

– Agora é que não me amarram mais – diz o espírito com um certo ar de satisfação.

O presidente chama a atenção do espírito para o fato extraordinário de estar ele desamarrado, e no entanto, impotente para fazer o mal que queria e ainda mais, incapacitado de levantar os próprios braços.

– Não quero mais nada. Quero ir-me embora. Não está me agradando mais esta festa – diz o espírito dando mostras de achar-se outra vez incomodado.

– Não podereis vos retirar – diz o presidente – e tereis de ficar para ver muita coisa ainda em vosso benefício; olhai.

– Tire essa porcaria daqui – diz o espírito voltando o rosto, contrariado, e como se dirigindo a alguém no espaço – Não quero ver mais nada. Foram buscar uma porção de histórias e tudo está fedendo – diz ele soprando pelas narinas como se sentisse mau cheiro – Não quero mais nada.

O presidente diz ao espírito que prestasse bem atenção que esse menino (Oscar) lhe mostrava; que, embora ele voltasse o rosto, havia sempre de ver, porque ele via com os olhos do espírito e não com os olhos materiais.

– Oh!..­­­­­­­­. mas isto é horrível. Onde é que este menino (Oscar) vai buscar tanta coisa? Mas, afinal, diga-me porque tanta coisa? Por quê tudo isto?… Não, – como [se estivesse] tomando uma resolução. – Logo vi a causa; distraí-me e esqueci que estava entre essa gente. Pois saibam que pouco me importo com ela, (Lídia) contanto que me deixem ir embora.

– Já dissemos ao nosso irmão que nosso desejo é o de não poderdes sair daqui sem o arrependimento de vossas faltas e a graça de Deus.

– Irmão, não – diz o espírito com ar sombranceiro, e depois de algum tempo como empregado em meditação e dúvida diz: – Quem é esta mulher que está aqui? Não a conheço. Deixe-me (como se dirigindo a alguém que se lhe houvesse apresentado).

– Reconhecei vossa mãe, diz o presidente, eu vos exorto a fazê-lo.

– Mãe?!… Não conheci nenhuma.

O presidente diz-lhe que uma mãe sempre deve despertar a atenção de um filho, principalmente se ela é infeliz e haja cometido faltas. Que os afetos de uma mãe são dívidas que um filho não pode pagar senão com mais entranhado amor.

– Eu, não; não devo nada; nem o leite me deu. Não a conheço (como se dirigindo àquela que se lhe apresentara). Vai embora.

Depois de algum tempo como de luta atroz em seu coração, o espírito continuou com ar de desdém do qual transpirava também cruel sofrimento:

– Ora, ora!… Agora temos choramingas, temos choro. Mulher,vá-se embora, não esteja a me amolar. Eu não creio que sejas minha mãe. Uma mãe não rejeita um filho (com ênfase). Uma fera não faz o que fizeste! Atiraste-me a uma praça pública e agora o que queres? Que te perdoe?!… Perdão por quê?

– Perdoai a essa que se prostra de joelhos a vossos pés, meu irmão, e confessa a sua falta – diz o presidente – e confessa sua falta se quiserdes ser também perdoado.

O espírito ouve essa súplica do presidente com ar de contrição, e depois de um momento, como se fosse ferido por um raio de arrependimento exclama:

– Ai!… ei!… mas que veio você fazer aqui também? Por essa não… esperava agora. Sim… é verdade (como recordando-se), é verdade que acusava-te agora… que me tinhas enjeitado [sic] e eu… enjeitei uma criança!… (comovido). E o que viestes fazer aqui?… (para alguém no espaço). Sim. É verdade que eu não queria receber como minha filha que eu abandonei mãe e filha, por julgar que não era minha filha! Como tudo isso pode vir diante de meus olhos? Como tudo se ajuntou para vir se apresentar diante de meus olhos?

– Todos temos o momento supremo da prestação de contas a Deus – diz o presidente – o vosso chega neste momento, meu irmão.

– Desgraçado!… desgraçado! – exclama o infeliz.

– Curvai-vos à justiça de Deus. Recorrei à sua misericórdia e obtereis o perdão.

– Mas, se eu não tenho… – diz ele como falando a alguém no espaço. – Sim. Não duvido de Sua Existência, porque esses jatos se apresentam diante de meus olhos; mas, se não sinto nada no meu coração – diz ele com ar de causar dó – Sim, eu tenho mesmo que desculpá-la por prece. Que alguém me perdoe!

O espírito é arrebatado e o médium fica em êxtase. O presidente ergue uma súplica ao Senhor pedindo um raio de luz para esse infeliz irmão, e a Jesus e a Maria a graça de intercederem por ele junto ao pai celestial.

Volta o espírito de novo ao médium e exclama:

– Oh!… ai, ai, oh!… neste momento… neste instante… em que fui arrebatado a essas alturas!… Meu Deus!… Eu sei, Senhor, que sou um desgraçado!… Que sou um mísero!… Que nada mereço!… Mas, Vós me fizestes ver tanta coisa indo a esse lugar a que me levastes!… Tirai-me do abismo aonde me despenhava! Erguei-me! Quero ser bom! Quero trabalhar para o bem com a mesma força com que fazia o mal!… Perdoai-me, meu Deus… Perdoai-me!

O presidente ergue a prece dos arrependidos, e depois dela o espírito, mais calmo, então diz:

– Bem, eu vou-me embora. Me desculpem o mal que eu desejava fazer. Desculpem as palavras que eu disse. Deus é bom! Sim. Ele deu-me luz para me guiar, mas, é impossível que quem se acostumou ao mal possa rapidamente mudar para o bem.

O presidente pede a Jesus para dar forças a esse irmão para ele seguir de hoje em diante sempre no caminho do bem. O espírito agradece e diz:

– Depois direi quem sou e vos contarei a minha história. Adeus.

Retira-se na graça do Senhor.

Em seguida manifesta-se pelo mesmo médium P. um outro espírito com linguagem incorreta e sotaque como de negro africano, que era o espírito de que o médium vidente fizera menção, o qual se exprime logo em começo da seguinte forma:

– Uê. Sai tudo, vai embora. Eu sozinho é que não fica, isso é que não; eu também qué ir, aonde é esse caminho?

– É o caminho do céu – disse o presidente.

– Caminho de céu não é feito pra gente. Vai pra céu quando gente é bom.

O presidente explica com toda a brandura a esse infeliz o que era a vida, comparando-a com uma viagem que todos nós temos de fazer até chegar a um ponto onde existe a felicidade; que esse caminho se bifurca; um seguindo sempre para o bem e outro para o mal; e aquele que errar o caminho terá de voltar até encontrar o bom e seguir por ele.

– Voltar pra trás – diz o espírito – Oh, eles fizeram isso? Boa companheiro que deixa zotro no caminho e volta para trás. E agora, onde é caminho bom?

– É o de Jesus Cristo, meu irmão – diz o presidente e explica-lhe como se deve entender o caminho de Jesus Cristo.

O espírito ouve tudo com atenção e diz:

– Nosso Senhô Jesú Cristo?! Eu creio em Nosso Senhô Jesú Cristo e em Deus. Eh, eh! – continua ele com espanto – Coisa tudo que eu fiz está aparecendo! Como panela está tudo quebrado aí? Mas Sinhô moço eu não queria vê isso não.

– Sim – diz o presidente – não verás, mas verás um mensageiro de Deus.

– É, sim Senhô. Que é mensageiro?

O presidente explica-lhe dizendo que é um criado de Deus, e que ele em breve o veria. Diz-lhe que nós todos somos irmãos e filhos de Deus.

– Mas eu não sou filho Dele. Vosmecê é branco, é filho Dele, mas eu preto, não.

O presidente diz-lhe que se lembre de que São Benedito era preto, filho de Deus, e até foi santo; que ele também poderia sê-lo seguindo sempre o caminho do bem.

– Apesar de São Benedito ser preto, está caçoando. Eu ser santo?… São Benedito é bom, mas eu sou mau.

O presidente explica-lhe o que era o corpo e a alma e de como a alma dos mortos pode se corresponder com as dos vivos da Terra.

– Alma!… – diz ele com ar amedrontado – eu não quero saber dessas coisa, não sinhô; porque meus pracero quando morre vem falar e eu não gosto disso não.

O presidente continua a dar-lhe explicações sobre a morte, e diz que ele já tinha morrido.

– Eu já morri? – diz ele espantado – como está aqui e tenho corpo? (rindo-se) eu estou gostando de vosmecê.

Ganha[ndo] assim a confiança do espírito, o presidente explica-lhe em linguagem apropriado à sua inteligência o que era a vida, o que era o sono, a morte, o desprendimento da alma ou espírito no sono e na morte.

– A gente sonha? – diz o espírito como prova de sua atenção – está percebendo pouco e pouco isso. Esse não é meu corpo que está aí? (apalpando-se). Não enxerga nada.

O presidente recomenda-lhe de ter fé em Deus que tudo pode e Ele lhe dará a vista se pedir com fé.

– Mas, eu creio Nele. Pede só pra vê, não é? Vamo vê.

O presidente ergue uma súplica ao Senhor para dar luz a esse infeliz irmão e ele exclama admirado:

– Ah!… que luz esse que vem aí?… Tão bonito!… Vem chegando (como se visse alguém).

– É São Benedito que vem até vós, irmão.

– Esse é branco e São Benedito é preto – pouco depois exclama admirado – Como é que ficou preto?!… Ah, ele disse que ficou preto pra eu ver. Ora, quem havia de dizer que depois de morta a gente passa por tudo isso! (com admiração): Que casa é essa? Eu estava noutra casa. Estava com gente de minha cor.

– Sim – diz o presidente – Estavas em outra casa e fazendo mal a uma irmã.

– Estava fazendo mal? (admirado) Pensei que estava junto de minha parceira.

O presidente conta-lhe o mal que ele lhe fazia.

– É verdade – diz ele sentido – O que é preciso a gente fazer? Agora estou percebendo. Espera… Deixa ouvir o que ele está dizendo (como se prestasse atenção a alguém no espaço). Sim, meu senhor… Pelo amor de Deus, você me perdoe, eu não sabia, estava fazendo mal a você, minha parceira (Lídia). Perdão pelo mal que eu estava fazendo.

Afinal, extremamente comovido exclama:

– São Benedito me leva. Quero ver esse caminho que leva-nos para o céu.

O presidente pede a Benedito para receber em seu seio amantíssimo esse seu guiado e dar-lhe forças para ele seguir sempre pelo caminho da virtude.

– Meu São Benedito – diz o espírito – auxiliai-me para que Deus possa se compadecer de mim! Ah!… Como é bonito! – exclama cheio de admiração – Uma porção de luz… tão bonito! Olha lá longe uma porção de coisas… Eu tenho vontade de ir lá… O que é preciso fazer para eu ir lá?

– São os anjos que vos chamam.

– Ah! Esses meninos estão me chamando… Tão bonito… Mas que porção de gente… São Jorge está me dando uma cruz (beijando), muito obrigado.

O presidente manda-o seguir com Benedito na paz do Senhor.

– Sim… eu vou-me embora… Sim… Adeus todos. (parte).

Erguida ao Senhor uma súplica em intenção desse irmão, manifesta-se ainda pelo médium P. o espírito de nosso amigo e protetor André Graça da seguinte forma:

Que a bendita paz do Nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco.

Amados filhos,

De dia para dia acumulais cada vez mais os vossos tesouros no céu.

É assim que Jesus deseja ver o seu rebanho trabalhando na sua santa vinha para se fortificar no amor e na caridade.

Meus filhos, eu venho depor meu ramalhete de flores sobre a efígie santa de Maria, que por sua intercessão celebram-se todas essas maravilhas.

Guiados pelo carinhoso Romualdo e por esses bons espíritos, vós tendes chegado quase ao meio da viagem.

Pois bem, não quero deixar que passe despercebido esse conjunto harmonioso sem que vos empreste um pouco de meu auxílio.

Estou satisfeitíssimo por vos ver assim trabalhando na seara bendita do Senhor, e é cheio de júbilo que neste momento levanto os olhos para o céu dando graças do Senhor.

Continuai, meus filhos, nessa obra grandiosa; ide acumulando vossos tesouros lá em cima, e quando tiverdes deixado esse fardo sobre a Terra, lá os encontrareis.

Bendito sejais, Pai de Misericórdia, que permitis aos vossos humildes filhos tanta graça!

Deus os abençoe.

Eu saio para deixar que outro amigo vos venha falar. Tomai o meu nome.

O médium L. toma o lápis e escreve: André.

Continuando a concentração necessária, assim se manifestou o nosso amigo e protetor Romualdo pelo mesmo médium P.:

Paz.

Tivestes hoje uma maior tarefa, mas também será maior o vosso galardão.

Conquanto não estivesse muito segura a vossa concentração, contudo os trabalhos correram perfeitamente e eu estou muitíssimo satisfeito dizendo-vos, eu, falo por todos.

Não podeis imaginar quão felizes se sentem os vossos guias, por terem visto hoje estes dois espíritos deixarem o caminho do mal.

Agora, pouco falta. Conforme vos disse, restavam 3 espíritos, depois do último que se manifestou, que eram mais perigosos. Quanto aos outros eram espíritos folgazões, que tinham ali encontrado um divertimento, e que após a saída desses abandonariam a presa sem muito trabalho. Com efeito, manifestaram-se hoje os dois que eram mais necessários; agora, depende o resto de passes magnéticos, água fluídica e alimentação leve e nutritiva para o levantamento do organismo.

É necessário também que junto dela se façam preces e fale-se ao seu espírito na matéria, a fim de a despertar [da letargia] em que tem estado; e no dia em que ela (Lídia) se levantar, então fareis lá (casa de Lídia) uma sessão em ação de graças ao Nosso Bom Pai Celestial e à Nossa Mãe Santíssima, que, sempre boa como é, tem nos vindo auxiliar.

Perguntando o presidente se a irmã Lídia deveria assistir à sessão, Romualdo disse que sim.

– Por hoje – continuou ele – daí graças a Deus, porque muito já trabalhastes.

Não quero abusar do vosso médium.

Que a paz do Senhor fique convosco, e que o manto da puríssima Virgem vos cubra.

Romualdo.

Feita a prece de agradecimento a Deus, à Virgem Santíssima, aos nossos anjos da guarda e aos bons espíritos nossos protetores, foi encerrada essa maravilhosa sessão às nove e meia da noite.


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 NOTAS DO ARQUIVO ESPÍRITA: A imagem no início desta página é o quadro “The Angel Appearing before the Shepherds” de Thomas Buchanan Read, e não faz parte do documento original.


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