“Caridade”: mensagem de Fagundes Varella (espírito) de 04/08/1896, publicado em 25/05/1898

Periódico: Religião Espírita Ano I número 6

25 de maio de 1898, p.1

Caridade

(Recebida no grupo “Caridade nas trevas” em sessão do dia 4 de agosto de 1896.)

Gloria in altíssimo Deo et in terra paxi hominibus bona voluntates.

Meus bem amados,

Entesourai os vossos tesouros nos céus onde a traça nem a ferrugem os corroem: assim disse Jesus.

Eu vo-lo afirmo que o fizerdes de bem sobre a Terra, lá o encontrareis; por isso, não vacileis um instante no caminho que haveis de trilhar.

Que importam as glórias desta vida, que importa o ouro vil de que vos servis, se ele não vos acompanha para a eternidade? Antes o repartais com os vossos irmãos, do que sirva de obstáculo à vossa felicidade.

Aqui, onde existe a dor e a lágrima, qual o sentimento que enobrece mais os vossos corações que a caridade?!

Qual o lampejo de alegria que desponta nas faces dos que sofrem, que a gratidão, de receberem a espórtula benéfica que lhes suaviza os sofrimentos?!

Se procurardes onde exercer a caridade, encontrareis à farta por essas vielas sombrias, tristes choças escuras, onde nem de leve penetra a luz do sol; onde ao despontar da manhã não há um triste lume, nem à mesa um pouco de pão duro para mitigar a fome. E se penetrardes mais; vereis na alcova triste enxerga coberta por uma esteira velha que serve de lençol e colchão ao mesmo tempo!

[O parágrafo a seguir contém várias trechos ilegíveis] Quadros tristes que ao vê-los […] coração confrange-se e os olhos se enchem de lágrimas e os lábios […] para dar uma palavra […] e de conforto, dizem […] meus irmãos, sofrei […] resignação as torturas […] Jesus o grande [Mestre] […] os olhos para o céu: Não […] vive o homem, mas de toda a palavra saída dos lábios de Deus.

Ao afastarmos, cheios de alegria por ver calar-se as nossas palavras no âmago de seus corações macerados pela dor, deparamos a dois passos com espetáculos diversos.

Rico palacete, situado no centro de um jardim, onde as flores odoríferas despedem seus aromas, as janelas abertas deixam penetrar o ar tépido. É tudo alegria nesta casa, só reina o prazer. Entremos, o que vemos?

A mesa está repleta de convivas, farta, cheia de iguarias e apetitosos manjares. As garrafas de vinho são abertas aos pares; todos bebem e riem; não comem porque os seus estômagos estão fartos; entretanto os criados lhes mudam os pratos, e da mesa uns após outros vão para o interior para darem-se aos porcos, e nem se lembram sequer nessa abastança, da pobre vizinhança que têm os olhos a verter!

Homens cruéis, mulheres fementidas, pensais acaso que isso dura toda a vida?

Não, mais tarde, quando a esta Terra voltardes noutra vida, haveis de sentir como eles as dores da agonia; e então chorareis prantos de amargura, que se vão perder no ar ao sopro da ventania.

Basta por hoje.

Eu voltarei sempre que puder e não abusarei um instante sequer do pobre aparelho que se presta com amor.

Serei seu companheiro por esse caminho inteiro até a casa do Senhor.

Que a Virgem Puríssima vos cubra com seu Sacratíssimo Manto.

– Mas quem sois, amigo que tão bons conselhos nos dais – inquire o presidente.

– Que Jesus neste recinto baixe a sua paz.

Luiz Nicolau Fagundes Varella


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