Sessão mediúnica do grupo “José” com mensagem de Teresa de Jesus (espírito) 17/07/1896, publicada em 25/06/1898

Periódico: Religião Espírita – Ano I número 07

25 de junho de 1898

 

Ata da sessão do grupo José no dia 17 de julho de 1896.

As oito horas da noite, presentes os membros do grupo e os médiuns L. M. R. e C. P., o presidente depois de erguida a prece inicial abre a sessão em nome de Deus.

Ao começar-se a prece pelos espíritos sofredores o médium C. P. sonambulizado recebe um espírito que denuncia grande comoção pelos suspiros que exalava a mesma prece.

O médium L. recebe a seguinte comunicação:

Meus filhos, que Deus vos acompanhe e proteja. Nós aqui juntos de vós estamos para vos amparar e ajudar.

José, João, Romualdo, Justus, Paulo, Clara, Maria, André, Antônio de Pádua.

– Eu sofro muito – diz o infeliz espírito pelo médium C. P. – mas tenho vergonha de me manifestar. Não quero, (como respondendo a alguém do espaço) vou me embora, orem por mim.

Passado um instante, diz [outro] espírito [pelo] médium:

– Coitada de minha pobre irmã! Quanto sofre! Orai, orai por ela.

O presidente ergue uma prece ao Pai amantíssimo, pedindo compaixão para esse pobre espírito. Durante essa súplica mais cresce ainda a comoção desse espírito, soltando soluços de verdadeira dor. Depois, como que encontrando alívio em expandir as dores do seu coração, manifesta-se esse infeliz espírito de Firmina Pacheco, dizendo-se envergonhada dos maus passos que dera na vida terrestre, nunca se julgando assaz castigada por haver desprezado os conselhos do seu pai que tanto a amara.

Depois de muito relutar para contar sua história, parecendo receber do espaço conselhos para isso, e na luta entre a humildade de dizer o que fora e a vergonha de confessar as suas faltas, foi pouco a pouco ganhando confiança entre as pessoas presentes pela amabilidade e carinho com que a tratava o presidente, dando-lhe conforto nos conselhos de tudo esperar da misericórdia de Deus e do amor infinito de Jesus, e julgando-se então captiva, como disse, dessa confiança que lhe inspirava um terno coração de pai também extremoso, principiou a contar a sua desgraçada vida, pedindo desde logo perdão a Deus.

O presidente suplica da Mãe Santíssima a proteção para essa nossa infeliz irmã, e ao Senhor um raio de luz de seu Divino Amor.

Fortalecida por esta súplica, Firmina desenrola então a sua comovedora história; descortinando por uma franqueza filha de inteira confiança, as suas faltas que a tornavam digna de toda compaixão.

Compunge a todos relatar os sofrimentos porque passa, vendo agora os seus três filhos passando miséria, e torna-se finalmente merecedora de santa piedade, contando por palavras entrecortadas de soluços que morrera em um hospital, desprezando por mal entendida vergonha, o amparo de sua família oferecida pelo braço generoso de um irmão.

Renascido o verdadeiro amor nesse dolorido coração, Firmina dá salutares conselhos às filhas do presidente, presentes à sessão, exortando-as a ouvirem aos conselhos de seus pais mesmo quando não fossem eles amantíssimos pais, porque aquilo que por eles é reprovado não deve ser seguido, sob pena dos maiores infortúnios.

O presidente agradece à Firmina os bons conselhos que dá às suas filhas e ergue uma súplica ao Senhor pedindo a graça de permitir a essa irmã ver o seu anjo da guarda.

Firmina comove-se vendo junto a si Tereza de Jesus, cujo nome pronuncia cheia de veneração e amor.

O presidente oferece à guarda e amantíssimo coração de Tereza de Jesus essa sua guiada, que despertara em todos nós por seus sofrimentos, os mais fundos e sinceros sentimentos de piedade. Pede a Tereza de Jesus a graça de receber as nossas preces como amparo e fortaleza pela sua guiada e os nossos agradecimentos pelos dois atos de caridade obtidos por sua intervenção, ajudando por um lado a essa irmã a humilhar-se perante o infortúnio, e por outro, promovendo tão caridosos conselhos às irmãs encarnadas às quais Firmina dirigira.

Pouco depois da retirada de Firmina, o mesmo médium C. P. recebe Tereza de Jesus que assim se manifesta:

Minhas filhas,

Acabais de assistir à manifestação de uma infeliz. Ela sirva para vós de um espelho onde vos mireis sempre antes de dar qualquer passo na vida material.

Como ela, tantas outras existem neste mundo que se deixam levar pelos primeiros arrebatamentos da alma, sem medirem o abismo onde têm de cair.

O amor, minhas filhas, é um sentimento nobre, sublime e grandioso, mas é preciso que ele parta de cima.

Não se deve amar a ninguém mais do que a Deus. Depois de nos termos entregado a Ele de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, devemos então amar alguém.

Partindo desse princípio, esse sentimento toma proporções gigantescas e faz prodígios, mas sempre de mãos dadas com as virtudes. Mas não partindo daí, ele é arrebatado e cego; segue uma carreira vertiginosa, embrenha-se por estradas tortuosas até chegar ao fim. É então, que depois de se ter caído no abismo insondável do vício e da corrupção, procura-se medir a sua profundidade. É tarde; para a triste [moça] só lhe resta a estrada ruinosa, cheia de escombros e de espinhos por onde tem que marchar, e vai, caminha, e mais tarde, tem por glória uma vida de aventuras e a enxerga de um hospital.

É triste esta história, mas ela vos fala tanto à razão, que eu sinto-a, haveis de perdoar, é uma parte do amor que vos tenho que me faz falar assim.

Oh, religião bendita de emanações divinas, se não foras tu, como poderia trazer hoje ao vosso centro esse grande exemplo?!

Estudai-o bem e tomai para vós essas lições que nunca são demais.

Sirva-vos ele de um facho luminoso para vos guiar pela estrada pedregosa dessa vida.

Que a Puríssima Virgem, Mãe Protetora de todos os infelizes, deixe cair sobre vós uma ponta de seu estrelado manto.

Vossa irmã Tereza vos abençoa.

Erguido o agradecimento ao Senhor, a Jesus, a Maria Santíssima e aos bons espíritos, nossos guias e protetores, encerra-se a sessão.


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