Trechos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, obtidas pela médium Maria Amélia antes que ela tivesse qualquer contato com o livro (24/03/1881)

Periódico: União e crença – Ano I número 01, p.1

Areias, SP, 24 de março de 1881


Crença

Vinde a mim vós todos que vos achais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei, tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e achareis o descanso para vossas almas, porque o meu jugo é suave, e o meu fardo leve. (Mt XI:28-30)

Todos os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas, perdas de pessoas caras, acham consolação na fé, no futuro, na confiança da justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens.

Aquele que, pelo contrário, nada espera depois desta vida, ou que simplesmente duvida; as aflições pesam com todo o peso, e esperança alguma vem suavizar o amargor; eis o que levou Jesus a dizer: “Vinde a mim vós todos que vos achais fatigados, e eu vos aliviarei”.

Entretanto, Jesus põe uma condição à sua assistência, e à felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei ensinada por ele; seu jugo é a observação dessa lei, porém esse jugo é leve, e essa lei é suave, pois que impõe por dever o amor e a caridade.

Deus é o único, e Moisés é o espírito que Deus enviou em missão para fazê-lo conhecer, não somente aos hebreus, mas ainda aos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que Deus se serviu para fazer sua revelação, por Moisés e pelos profetas, e as vicissitudes desse povo, foram feitas para ferir e fazer aos olhos cair o véu que ocultava aos homens a divindade. Os mandamentos de Deus dados por Moisés trazem em sua mais alta extensão, o germe da moral cristã. Os comentários da Bíblia contraiu-lhes o sentido, porque postos em obra, em toda a sua pureza, não teriam sido compreendidos então; mas nem por isso os dez mandamentos de Deus deixaram de ser o frontispício brilhante, como o farol que devia esclarecer a humanidade no caminho que tinha a percorrer.

A moral ensinada por Moisés, era apropriada ao estado de adiantamento em que se achavam os povos convidados por ela a regenerar-se; e esses povos semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendido que se pudesse adorar a Deus sem holocaustos, nem que se pudesse perdoar um inimigo. Sua inteligência notável no ponto de vista da matéria, e mesmo sobre o das artes e ciências, estava muito atrasada em moralidade, e não se converteriam sob o império de uma religião inteiramente espiritual, tornava-se-lhes necessário uma representação semi-material tal como lhe oferecia então a religião hebraica. Assim, enquanto os holocaustos falavam a seus sentidos, a ideia de Deus falava a seus espíritos. O Cristo foi o iniciador da moral mais pura, a mais sublime, da moral evangélica cristã que deve renovar o mundo, aproximar os homens, e torná-los irmãos; que deve fazer brotar em todos os corações humanos a caridade, o amor ao próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum de uma moral, enfim, que deve transformar a Terra e dela fazer uma habitação para os espíritos superiores a aqueles que a habitam hoje.

É a lei do progresso a que a natureza está submetida, que se realiza, e o espiritismo é a alavanca de que Deus se serve para fazer adiantar a humanidade.

Os tempos são chegados, em que as ideias morais se deve desenvolver, para cumprir os progressos que estão nos decretos de Deus; elas devem trilhar o mesmo caminho que as ideias da liberdade, suas precursoras, percorreram. Porém, não se deve crer que esse desenvolvimento se faça sem lutas, não; elas precisam, para atingir o estado de madureza, de comoções e de discussões afim de atrair a atenção das massas; uma vez fixa essa atenção, a beleza e a santidade da moral, tocarão os espíritos, e eles buscarão aderir a uma ciência que lhe dá a chave da vida futura, e lhes abre as portas da felicidade eterna.

Foi Moisés que abriu o caminho, Jesus continuou a obra, o espiritismo a acabará.

Mulhouse [França]


 PARA VER O DOCUMENTO ORIGINAL DIGITALIZADO (CLIQUE AQUI)


NOTAS DO ARQUIVO ESPÍRITA:

1- Em edição posterior deste mesmo periódico é informado que as mensagens que “se encontram no primeiro número de nosso jornal assinado por Mulhouse e Fénelon existem no livro ‘Evangelho Segundo o Espiritismo’ e foram obtidos pelo mesmo médium sem que o tivesse lido em tempo algum.” O [a] médium em questão é Maria Amélia.

2- O texto apontado como de autoria de Mulhouse, na verdade são dois trechos (e não um) de O Evangelho Segundo o Espiritismo (E.S.E.):  Os primeiros 5 parágrafos equivalem ao texto “O jugo leve” (E.S.E., cap. 6, itens 1 e 2), enquanto o restante do texto corresponde à mensagem escrita por “um espírito israelita” na CIDADE de Mulhouse, França (E.S.E., cap.1, item 9).

3- Os erros descritos acima reforçam a tese de que a médium tenha de fato psicografado no Brasil as mensagens anteriormente psicografadas na França sem acesso às publicações originais, embora não sejam suficientes para comprova-lá.

4- A imagem no início desta página é uma representação de Moisés e não faz parte do documento original.


O ARQUIVOESPIRITA.ORG é um repositório digital de documentos relativos à história do espiritismo.

Caso tenha algum documento que possa ser escaneado e disponibilizado no site, por favor entre em contato conosco pelo e-mail arquivoespirita@gmx.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *