“Perguntai à [consciência]: Eu… Quem sou eu? (…) Donde veio o meu eu? Para onde irá? E Deus vos responderá.” – (espírito anônimo) 1881 (?)

Periódico: União e crença – Ano I número 01, p.2-3

Areias, SP, 24 de março de 1881


A PAZ DO SENHOR SEJA CONVOSCO.

Irmãos:

É de urgentíssima necessidade desvendar os olhos dos míseros que se debatem envoltos nas trevas da ignorância, e empregar todo o esforço para chamá-los à ordem, fazendo dissipar essa terrível cegueira que os priva da luz da sabedoria, e que os arrasta ao abismo, à perdição, e ao sofrimento moral, mil vezes mais terrível que os padecimentos físicos. – Ouvi as minhas santas palavras porque são elas a expressão da verdade, que vem hoje derramar em vossos corações o germe consolador de que tanto necessitais, para o esclarecimento de vossas ideias. = Se me prestares atenção, desistirias, sem dúvida de continuar nessa carreira vertiginosa que vai auxiliada pelos maus espíritos, conduzindo o vosso espírito para um ponto terminal, que não existe, e em o qual esperas encontrar descanso salutar, para as fadigas dessa jornada desesperada, que vos força ao embrutecimento voluntário.

Irmãos: Eu não procuro gravar em vossos espíritos, senão a tradução divina, de tudo quanto possa haver de mais sublime, no mundo invisível, a fim de vos provar a realidade, não só desta existência, como também da pronta e rápida comunicação dos seres do nosso mundo, com os espíritos presos no invólucro material.

Assim, pois, para que possa bem e fielmente (cumprindo a minha palavra) satisfazer o que tenho dito; e para que possa com acertadíssimas explicações esclarecer tudo, a todos vós, sem deixar qualquer incerteza, que ocasione dúvidas, tomo como ponto único de partida, Deus. Penetrai no interior dessas imensas florestas, onde gigantescos cedros atestam séculos de vegetação, sempre superiores e fortes aos fortíssimos impulsos das ventanias e tempestades do deserto, e que resistem mesmo, a distribuição da eletricidade atmosférica, que procura derrubar essas imóveis sentinelas do sertão, que a tudo vencem; até que um dia ouçam a autorizada voz de alguém que lhes diga chega; e dizei-lhe: Quem ali impera com todo o poder e sabedoria? – Contemplai ainda nessa mesma floresta, que vos apresenta tantos prodígios, que encantam a vista, desenrolando panoramas tão sublimes, que confundem todos os sábios, e as inteligências todas dos espíritos encarnados, e dizei-me: Quem ali se mostra sempre, como sempre, superior a todos e a tudo, demonstrando e provando eterna sapiência que nos faz crer na sua onipotência?

Conchegai-vos ao cristalino e triste arroio, que moroso se desliza pelas verdes campinas alcatifadas de esmaltadas e odoríferas flores, que se unem e beijam-se como irmãs extremosas que são; e depois de haveres minuciosamente estudado as águas do ribeiro, e examinado atentamente as finíssimas composições dessas flores, e penetrado em seus estames célicos dizei-me: Quem poderia ter sido o autor sublime de tantas sublimidades, que a mão ignorante e pecadora da matéria em balde busca imitar de balde? Tomai o ninho de uma pobre avezinha e depois de estudado o como pode ela formar tão delicada obra, empregando princípios de ciência que o mortal não conhece, e respondei: Quem a ensinou, assim, a executar e apresentar aos vossos olhos um trabalho tão importante, digno de admiração, e tão completo?

Vede o azul cetíneo da abóbada celestial, crivado de estrelas oscilantes que representam mundos, que sucedem uns aos outros e dizei-me: Quem foi o autor de tão grandes maravilhas?

Vede o oceano, esse abismo medonho e lindo, que se compõe de água diferente, na cor e no sabor, a essa que de ordinário tomais para o vosso uso; esse abismo que ora se apresenta enfurecido e calmo, permanecendo sempre em movimento, e que esconde em sua profundidade, monstros habitantes desconhecidos de todos vós, e respondei-me: Quem juntou essas águas, e criou tais viventes, prodigalizando existência, tanto ao mais microscópico, como ao maior, tanto ao maior, como ao grande; e tanto ao grande como, ao monstruoso? – Quem foi?

Escutai, agora por um momento o doce canto do passarinho, que alegrando-se com a luz da aurora, que mal principia a despontar, entoa hinos de amor, e dizei-me: Quem o faz cantar e a quem ele inocentemente saúda, agradecendo a sua existência e liberdade? A vós outros? Não.

A quem então? Estendei a vossa apreciação para os puros sentimentos maternais desses anjos povoadores da floresta e o que vedes? O poder de quem aí se mostra, entre eles, ensinando a procurar o alimento para seus filhos?

Consultai a vossa própria consciência, e se ela não estiver ainda de todo perdida nas trevas do embrutecimento, se ainda sentir um átomo da parte divina, influindo sobre o vosso orgulho mal entendido, perguntai a ela: Eu… Quem sou eu? Eu… o meu eu quem é? Donde veio o meu eu? Para onde irá? E Deus vos responderá.

Erguei por tanto o vosso pensamento a Ele, orai contrito implorando misericórdia para os vossos pecados, e não façais aos outros aquilo que não quererias que te fizessem, que assim procedendo ireis conquistado a eterna benção do Criador, e dos espíritos santificados que se comunicam contigo, esclarecendo tudo quanto ignorais, relativo ao Espiritismo.

Estudai a doutrina que vos fala das comunicações; estudai com atenção e depois de assim o haveres feito, chegareis a um resultado satisfatório, sim, a um resultado completo; porque então sereis outro homem, e jamais tornareis, jamais, a duvidar do poder de Deus.

Os espíritos não se comunicam com as produções do reino vegetal e mineral, e sim com o homem, que é filho do Eterno, porque a sabedoria do Criador esmerando-se mais com essa criatura do que com as outras, dá-lhe toda a preferência, porque assim está escrito.

É chegado o tempo da verdade, a época dos grandes acontecimentos está chegando, e quem dela se afastar, afastado continuará a estar, até que a clemência Divina venha em seu auxílio, portanto, irmãos, cada um de vós deverá, hoje, mais que nunca, banir do pensamento, tudo quanto possa vos iludir o espírito para o mal, e fazer todo o possível por alcançar a proteção desse Pai misericordioso, que vos guia por essas estradas, juncadas de espinhos e flores. A primeira é a que deveis seguir, porque nela encontrareis as pegadas de Jesus Cristo.

CRENÇA

Comunicação obtida espontaneamente pelo espírita médium P. M.


PARA VER O DOCUMENTO ORIGINAL DIGITALIZADO (CLIQUE AQUI)


O ARQUIVOESPIRITA.ORG é um repositório digital de documentos relativos à história do espiritismo.  

Caso tenha algum documento antigo que tenha relação com o espiritismo, por favor entre em contato conosco pelo e-mail arquivoespirita@gmx.com , ou por nossa página no Facebook.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *