Aurora da Regeneração

Periódico: O Eco d’além-Túmulo

Salvador, Bahia – Julho de 1869, número 1, páginas 9 a 19


I

Uma nova era desponta para a humanidade!

A misericórdia de Deus é derramada em torrentes com os maiores eflúvios de sua bondade inefável sobre o homem!

Já não é dado descrer de Deus: o ateísmo vai desaparecer de sobre a face da terra.

A imortalidade da alma, tantas vezes negada pelo filosofismo materialista, não é hoje só uma crença ou um princípio ou dedução filosofia, é um fato.

Sim, é um fato do qual não é permitido mais duvidar; porque a evidência o atesta.

Hoje ninguém mais perguntará a alguém – se existe Deus como outrora fora Newton interrogado.

Nem será mister lançar os olhos ao firmamento para ler nele essa existência divina como mandou aquele filósofo, que o seu interlocutor fizesse.

Qualquer que tiver, pelo estudo profundo da ciência espírita, chegado a compenetrar-se das verdades irrefragáveis que essa ciência encerra, por si mesmo obterá a certeza dessas mesmas verdades que se lhe manifestarão, a lhe não deixarem o mais leve resquício de dúvida.

Pois que uma razão sã, uma inteligência ilustrada e um coração reto nunca poderão recusar a evidência que só a má fé ou a ignorância traduzirá de diversa maneira.

E estava reservado ao século XIX, à este século, que, com tanta razão denominam das luzes, acender essa flama divina, que, irradiando-se em todos os pontos cardeais do globo terráqueo, iluminará a humanidade inteira!

Vitimas da tibieza, ou antes, da descrença religiosa, aprendei nas verdades espirituais a revelação, a mais manifesta de todas as verdades católicas!

A revelação! Dir-nos hão os céticos! Pois precisa-se do Espiritismo, quando existe o Evangelho?

O Evangelho! O Evangelho! Nos dizeis vós?! Sois em verdade bem felizes, se nos redarguis sinceramente com essa fé robusta e inabalável que transporta montanhas!

E neste caso, então sois verdadeiramente espíritas; porque o Espiritismo inocula na alma como na inteligência, essa profunda crença tantas vezes abalada desde que o racionalismo se estabeleceu em escola doutrinária.

Acaso duvidais?

Não é possível, quando refletirdes, que a ciência, os conhecimentos humanos, quase que se estabeleceram em contraposição à fé.

Daí esse desenvolvimento da ciência, procurando sondar todos os abismos defesos, estabelecer leis onde a revelação colocou milagres, e, finalmente substituir a intervenção imediata, pessoal de DEUS, pela ordem imutável da natureza.

É assim que todas as verdades bíblicas, quando não foram inteiramente descridas, pelo menos, foram duvidadas.

É assim que o primeiro homem, Adão, conforme o Genesis, feitura das mãos de DEUS, foi considerado puro mito! Que Moisés foi julgado um ente fantástico, o Velho Testamento uma fábula e os milagres praticados por DEUS aí descritos, pura invenção dos homens!!

E foi, finalmente, assim que a misera humanidade esqueceu o caminho do Céu e lançou-se ofegante a abraçar-se com os transitórios bens da terra em que fundou toda a sua felicidade.

II

E nem em vista da descrença geral e quase absoluta, podia o homem deixar de ser envolvido na lava tremenda à que o arrastava o curso das ideias dominantes.

Sim; quando depois de inúmeros séculos ninguém mais cria que Moisés tivesse sido o escolhido de DEUS, negando-se-lhe até a existência por uma consequência necessária, ninguém ou quase ninguém acreditava na Aparição Divina no Monte Sinai; na entrega das tábuas da Lei por DEUS ao seu predileto; e, consequentemente, o Decálogo não foi mais considerado, senão como obra de mãos humanas.

O materialismo que tudo mediu pela bitola dos corpos organizados, não consentiu um só milagre; e assim tudo quanto era sobrenatural foi averbado de impostura e os poucos crentes ou eram perseguidos pelos poderes publicou ou levados como loucos aos hospitais.

Desta forma a evocação de Samuel pela Pitonisa por ordem de Saul e a aparição desse Profet que vaticinou a perda irremissível do Rei, tudo isto foi tido como um conto fabuloso.

As palavras terríveis – Mane-Thechel-Pharés escritas por dedos visíveis na parede da sala do festim de Baltasar e traduzidas por Daniel, quem mais as considerou verdade?

Mas o Espiritismo veio comprovar, evidentemente, a veracidade de todos esses fatos que a religião de DEUS VIVO nos ensina a não mais poder-se deles duvidar.

Aí está o eruditíssimo Sr. Barão de Guldenstubé no seu famoso livro da Pneumatologia Positiva e Experimental comprovando com testemunhos de homens importantes, cujos nomes declina até consignando a rua e o número das casas em que moram essas testemunhas oculares, os fenômenos da escritura direta pelos espíritos, em Paris, na igreja de Santa Genoveva e na de Santa Etienna do Monte, já nas catacumbas de S. Diniz, já mesmo no palácio do Louvre, junto às estátuas e no cemitério de Montmartre, sendo eles escritos em latim, em grego, em francês, inglês, alemão e russo, e até em língua estoniana.

E essas escrituras imediatas dos Espíritos, reproduzidas no papel, sem o auxílio estranho de tinta, pena, lápis ou outro qualquer instrumento, sem que às vezes se veja a mão misteriosa que as traça e tão somente à sua quase instantânea aparição, são o efeito de simples oração dirigida ao Ente Supremo!

Quem, pois, à vista de fenômenos tão admiráveis poderá negar hoje a existência desses milagres que aprouve a DEUS fazer para a felicidade do gênero humano e que estão registrados nas letras santas?

E a quem vai dever a humanidade inteira essa atitude brilhante à que chegará a fé?

Ao Espiritismo, cujo conhecimento DEUS, em sua infinita misericórdia, quis conceder ao homem.

Mas os céticos, os materialistas negar-nos hão obcecadamente a existência desses fenômenos ou os levarão, puramente, à conta de magnetismo animal (sempre a matéria!) chavão constante dessa filosofia empírica, que, apelando para uma ciência que não conhece dá por provado aquilo mesmo, de que duvida; pois que o supõe uma crisálida que se acha apenas a revolver-se no casulo, quando com o maior garbo, revoa no espaço imenso que DEUS lhe destinou.

Mas que! Pois os espíritos fortes, esses entes de têmpera rija e inteligência dilatada, podem lá crer em almas do outro mundo?!

Isto é só para os meninos e para as lendas das amas de leite.

O Espírito, dizem eles, morre com o corpo; importa aproveitar o mundo.

Nem de outra sorte pensaram os Epicuristas.

Também os judeus carnais nunca acreditaram no Messias; porém jamais duvidaram do bezerro de ouro, que continuam a adorar.

III

Para essa dúvida, descrença e tibieza, de que falamos não pouco concorreu, como ainda concorre, a educação literária que se bebe nas escolas, nos liceus, nos colégios de todo o mundo civilizado.

O estudo, a prática dos poetas e prosadores latinos, o conhecimento da história grega desses tempos da antiguidade, – e quando se confundiam os heróis com os diabos e até com os deuses, de sorte que não poucos conquistadores foram levados em apoteose para o Olimpo, à serem colocados no grande número das divindades adoradas, número que caminhava sempre em progressão ascendente, inoculando nas almas tenras o politeísmo em que tudo era DEUS exceto DEUS, como diz Bossuet, – iam-lhes matando pouco a pouco a crença religiosa, que a família já por si pouco crente, lhes tinha inspirado, quase sempre superficialmente e de que os mestre não mais ortodoxos, se não ocupavam, nem mesmo se ocupam.

Desse estudo resultando o sentimento do heroísmo, levado muitas vezes ao delírio, como o que fez Catão abrir as entranhas para não se submeter a Cesar, que fez Bruto sacrificar seu filho no altar da Pátria e apunhalar no senado de Roma à seu protetor e tantos outros exemplos desta ordem, desviando o homem da contemplação de DEUS o arrojaram de chofre ao mundo material à entregar-se em corpo e alma ao que é puramente terreno.

Desviado desta forma o espírito das coisas celestes, esquecidas as verdades que os livros nos ensinam, o homem atirou-se de roldão em tudo quanto lhe podia dar riqueza, grandeza e poder.

E como o ouro tem sido a única medida porque cada um aufere seu bem-estar, a própria alma foi reduzida à matéria e as manifestações do mundo sobrenatural, dirigidas pela sabedoria infinita de DEUS, deixaram de exercer influência sobre a humanidade porque foram consideradas quimeras.

O êxtase, a contemplação e o sublime dom da inspiração desses espíritos escolhidos, ou antes,  predestinados, que se chamam Santos; os milagres permitidos por DEUS e feitura de suas sacrossantas mãos, tudo isto foi apreciado como puro efeito de imaginações escaldadas.

Assim mesmo, porém, devia acontecer; a matéria devia acontecer; a matéria devia sobrepujar ao espírito: tal é a consequência infalível do pecado original.

E assim como nos antigos tempos a união dos filhos de DEUS com as filhas do homem deu origem à destruição da espécie pelo dilúvio, assim também o abraço estreito do homem com a matéria devia fazer-lhe esquecer o Céu e precipitá-lo no abismo insondável da irreligiosidade que o arrasta à completa perdição.

Entretanto DEUS, que tantos milagres havia operado para plantar no coração da humanidade o perfeito conhecimento de SUA existência d’ELLE, em Sua infinita Misericórdia faz baixar do Céu à terra seu Filho, Jesus Cristo, para vir em pessoa regenerar o homem!

O Messias, que, tão espontaneamente e todo amor, se apresentou precedido por fatos sobrenaturais e milagrosos que de combinação com as antigas profecias atestavam a sua identidade que derrama na Cruz seu precioso e sacrossanto sangue, espalhado sobre o Calvário para redimir a humanidade culpada, perseguido por Cesar e pelos Sacerdotes da antiga lei, expira como um criminoso entre dois ladrões!!

Os paralíticos que tinham sido curados, os cegos que tinham obtido a vista, os Lázaros que tinham sido ressuscitados do túmulo, tudo, tudo, além de combatido foi inteiramente esquecido; e o homem que parecia querer o vértice de sua regeneração, rejeitou as tradições e os fatos, duvidou da autenticidade deles e a palavra dos Apóstolos, inspirada pelo Espírito Santo, foi até considerada apócrifa!

IV

A religião de CRISTO assim combatida na própria sacrossanta Pessoa de seu divino Instituidor triunfou, contudo, embora a perseguição de César.

Apesar de dividida em mais de sessenta seitas diversas, quando se constitui em Igreja, em comunhão forte, conta logo com o apoio, com o auxílio dos Césares; então desenvolve os dogmas, explica-os e os ensina; e assim, também pondo-se à testa do progresso moral e até civil e político da humanidade, amplia o mais possível o maior bem-estar desta.

Chegando à meia-idade ao apogeu de seu vigor, para logo esforça-se em extirpar a heresia com o fim de encaminhar o homem à vereda do CÉU; e quando estava circundada da mais brilhante aureola de poder, não mais disputado, nessa mesma ocasião, no mesmo centro de força e  de desenvolvimento moral e ortodoxo, aparece João Hus atacando o dogma; mais tarde nos tempos modernos, Martinho Lutero e João Calvino, que lhes segues as pegadas, ambos mais felizes que aquele porque criam seitas, que, afinal, vingam.

E como a fria denegação dos santos mistérios da religião de DEUS não fosse bastante para subjugar a razão humana. Descartes se apresenta estabelecendo em sua filosofia a inteira liberdade do pensamento e assim abalando a fé.

De uma lado o cisma herético, de outro a razão sem freio querendo tudo submeter a seus cálculos frios.

Agitadas destarte as crenças, conquanto a Igreja se conservasse firme em seu posto e forte por seu prestígio divino que se derivava da promessa de JESUS CRISTO, contudo a heresia invadia países inteiros; entretanto na Alemanha passava à França e estabelecia-se na Inglaterra como religião do Estado.

E nem a América ficou isenta de seus ultrajes.

Entretanto este movimento dos espíritos querendo quebrar os liames da fé se chamou conquistas da razão e vitórias da ciência.

E os intitulados espíritos fortes por uma gradação ascendente negando os milagres, reduzindo tudo à pura matéria, refusaram a imortalidade da alma, e, – o que é mais! – até a existência de DEUS!

A filosofia pagã que havia visto quebrarem-se um por um todos os seus ídolos, nem por isso ficou condenada; – estudada ainda em todas as escolas, seus princípios eram recebidos pela mocidade inexperta, que, ávida se engolfava em suas doutrinas, apregoadas até por esses filósofos mestres do materialismo.

Assim foi que no século passado d’Alembert, Diderot, d’Holbach, Voltaire, Volney e todos esses famigerados enciclopedistas fizeram germinar essas sementes perniciosas, que, sacudindo o mundo pelos alicerces, tiveram mais força que a alavanca de Arquimedes porque encontraram um forte ponto de apoio.

O movimento social em procura da maior dose possível de liberdade levou esse desideratum, a tudo submeter às simples regras do raciocínio e aquilo que ele não podia atingir ou abranger, era repudiado como indigno da ciência e do homem.

Daí esse tremendo cataclismo do fim do século passado e princípio deste, que atacou a sociedade por seus fundamentos; e, depois de tudo derribado, o novo e celebre pontífice Robespierre erigia altares à razão humana e colocava na ara consagrada a DEUS essa nova divindade – Razão – para ser adorada, seguindo-se à isto abjurarem os padres sua fé, como sua santa profissão religiosa, e, publicamente declararem que, até ali, eles não tinham sido mais do que grandes impostores.

V

Eis o estado à que tinha chegado a mísera humanidade!

E, justamente, neste século em que as ciências humanas têm atingido o maior grau de perfectibilidade, todos os pensadores têm procurado submeter tudo ao cadinho do racionalismo e destarte se há buscado reduzir tudo à simples condição da matéria.

 Apagadas as crenças, destruída a fé, ridicularizada a credulidade que foi julgada nestes últimos tempos como partilha da ignorância ou da fraqueza, os corações mais robustos até se subtraíram às práticas religiosas, ao culto externo e público que deixaram ao vulgacho, como só digno dele.

A filosofia, ou antes, o filosofismo, considerou fanáticos os que acreditaram nessas inspirações divinas que dirigiram os espíritos dos profetas, como também tem sempre acompanhado à esses eleitos de DEUS, que, se apresentando em todo tempo, procuraram sempre guiar a humanidade, que, surda, lhes voltou as costas; porque se achava imbuída do erro que a arrastava para os puros interesses mundanos.

Da mesma forma foram tidos em conta de supersticiosos aqueles que rendiam um culto de piedade aos mortos, – que acreditavam na imortalidade da alma, e, finalmente, na aparição dos Espíritos dos finados, conquanto, essa verdade atestada pelas Letras Santas, estivesse consignada em todas as quatro religiões principais, isto é, em a nossa, no catolicismo como já dissemos, no paganismo, no judaísmo e no islamismo, e assim também nessas muitas dezenas de seitas, em que cada uma delas se divide e subdivide.

E nem escapou o Gênesis que representa o poder do CRIADOR, sua justiça e severidade, de ser comentado segundo a filosofia racionalista.

Adão decaído e banido do Paraíso, o mundo criminoso destruído pelo dilúvio, as quatro cidades culpadas aniquiladas pelo fogo do CÉU, quem, – que sábio filósofo quis nisto acreditar?

Neste estado infeliz, quando para assim dizermos, novos gigantes se tinham criado para escalarem o CÉU; quando parecia que barreira imensa havia sido levantada pela mão do homem para interceptar o comércio, a prática com a Divindade: quando supunha-se despedaçada a escada de Jacob, DEUS em sua bondade infinita, em sua inefável misericórdia, não mais querendo precipitar no abismo a obra de suas mãos, fiel à sua promessa feita à Noé ao sair da arca, ampara a humanidade que se resvalava ao precipício.

A princípio, por um modo todo miraculoso e incompreensível, começam as mesas, os chapéus, os pratos e mil outros corpos inertes a rodar e mover-se, pela simples imposição das mãos humanas à esses corpos sobrepostas, estabelecendo sobre eles uma cadeia eletromagnética; ninguém compreendia a razão de ser de semelhantes espantosos fatos, todos conheciam os efeitos, menos, porém, as causas.

O sonambulismo, entretanto, apresentando seus naturais fenômenos que eram atribuídos a causas magnéticas ou à eletricidade, começou a chamar a atenção dos homens pensadores.

O racionalismo não estacou, quis ainda reduzir à efeitos da matéria, a lucidez do sonâmbulo; mas a filosofia, a verdadeira ciência, remontou-se mais alto e procurou estudar o magnetismo.

Não há efeito sem causa; disseram – os funcionários da inteligência, – no sonâmbulo lúcido, está visto, o espírito atua sobre a matéria e de todo a subjuga, operando prodígios extraordinários; porém, como é que a matéria inerte por uma simples corrente magnética dá sintomas de vida?

As observações reiteraram-se, o exame acurado de semelhante portentoso fenômeno cresceu de ponto, quando se observou que essa matéria sem vida, que esses corpos sem alma respondiam por pancadas, por movimentos, por oscilações convencionadas a diversas perguntas; – que apontavam as letras alfabéticas, às quais unidas em sílabas davam nomes, frases e até orações inteiras!

Já não era o espírito do sonâmbulo que via, que falava, que, para assim nos exprimirmos, adivinhava o que se passava em qualquer parte do globo que descrevia as pessoas em países longínquos, o estado em que se achavam, o que faziam no momento, etc.; que pintava as moléstias das vísceras olhando para dentro das entranhas e tantas outras maravilhas; e isto, quando o corpo estava em completo estado comatoso, não; – era a pura matéria inerte que se movia e que a seu modo falava e, até, à seu modo raciocinava!!

VI

Esse estupendo prodígio assombrando a todos os seus observadores, cada um começou a pensar que um fato sobrenatural aí se efetuava: visto que a matéria inerte, sem vida, sem o mínimo princípio de ação, obrava inteligentemente, surpreendendo a razão, a mais cultivada.

Quando de repente uma revelação direta e espontânea se dá em um navio dos Estados Unidos em 1855, pedido d’além-túmulo do piloto dessa embarcação para que fosse paga uma dívida que ele tinha contraído com determinado indivíduo!

Reconhecida a identidade desse morto pelo metal da voz, ninguém duvida do estranho sucesso e o capitão se compromete a satisfazer esse pedido.

Ainda agora, por esse mesmo fato se conhecem as vistas da PROVIDÊNCIA, permitindo esse milagre entre os filhos dessa parte do mundo, que é, certamente, a Babel dos tempos modernos.

Sim, a Babel; pois que nesses Estados, onde todas as línguas e todos os dialetos se falam, onde todas as religiões, como todas as seitas têm culto, onde com DEUS se adoram todos os deuses, e onde, finalmente, DEUS e deuses ficam esquecidos e até postergados pelos meros interesses materiais, a só religião daquelas almas é a absorção extática da contemplação das riquezas, sendo a única diferença, que separa essa Babel da antiga cidade desse nome, terem sido daquela os povos disgregados para as diversas regiões do globo e para esta convergirem de todas as partes da terra.

Já o dissemos, e ainda o repetiremos, a revelação espontânea desse prodígio admirável no meio desses povos onde a barbaria está de mistura com a civilização, é ainda a demonstração mais cabal da misericórdia divina, revelando aí nesse país sem crenças, sem DEUS e sem religião (porque os cultos que ali há não podem ter esse nome) a existência de uma eternidade pela prova da imortalidade da alma; o, que converge, igualmente, como consequência imediata e lógica, para o testemunho da existência de DEUS, como também para a demonstração de todas as verdades eternas proclamadas pelo catolicismo.

É assim, pois, que no centro do progresso material e onde a moral do Calvário é sotoposta aos interesses, aos lucros, aos proveitos, às conveniências puramente terrenas, que a luz da verdade foi de novo acender o facho imenso que há de levar a humanidade inteira ao caminho que DEUS lhe destinou em sua infinita e inexaurível bondade.

E esse fato maravilhoso, atravessando o Atlântico, lá foi ecoar na erudita e sapiente Europa.

Então a França, que toma sempre à peito o desenvolvimento dos conhecimentos humanos, procura estudá-lo e dar-lhe incremento; a fria e filosófica Alemanha segue-a de perto; a Itália caminha também; fica, porém, aquém a Inglaterra: – não é ela a mãe dos Estados Unidos?

E para que se preencham as vistas do CRIADOR, por toda parte se descobrem, miraculosamente, esses predestinados de DEUS, que, tomando de médiuns, são os intermediários entre o mundo visível e os Espíritos, sendo por eles transmitidos os conselhos e instrução que apraz à DEUS mandar ainda agora ao homem, que, feitura de suas mãos, ELE só procura felicitar.

Se os Profetas foram esquecidos na noite dos tempos; se os milagres de DEUS foram também olvidados; se os Apóstolos e sua prédica divina foram postos em dúvida, toda a descrença desaparecerá quando o mundo inteiro, por meio dos sentidos, chegar à evidência de todas essas verdades eternas escritas nos Livros Santos e explicadas pela Igreja; quando as tocar pelo distinto tato, quando, enfim, essa evidência, convicto o moral for imprimir-se no físico.

O tempo chega, o tempo se aproxima em que toda essa ventura se derramará por sobre a superfície da terra.

Então o homem cônscio, pela própria experiência, da existência de uma vida eterna, onde o castigo não se faz esperar, nem o premio a virtude deixa jamais de galardoar ao merecimento, olhará ao próximo como seu próprio irmão, e, perfeito cosmopolita, nunca esquecerá seus deveres para quem quer que seja; porque nunca olvidará o que deve à DEUS, à si e à humanidade.

Será o Espiritismo que fará com que a humanidade seja uma só família, com uma só religião – o Catolicismo – e, talvez, com uma só linguagem.

Será, finalmente, ao Espiritismo, à que a terra deverá o aproximar-se, inteiramente, ao CÉU.

DEUS, – não o duvideis, assim o há determinado nos altos decretos de sua incomensurável sabedoria e misericórdia infinita. O que levamos dito, fruto de íntima convicção, por estudo não superficial e ligeiro, pode bem ser experimentado por qualquer que, desejoso, como nós, do conhecimento da verdade, depois de iniciado pelo estudo nessa sublime ciência, procure com o coração liso, com o espírito desprevenido, ouvir a esses tantos outros novos apóstolos de DEUS, a esses escolhidos do ETERNO, que se chamam médiuns, e – chegará à não mais duvidar dessa redenção que nos espera.


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