Resposta dos espíritos a algumas questões (da Revue Spirite de janeiro de 1858)

Periódico: O Eco d’além-Túmulo

Salvador, Bahia –  Julho de 1869, número 1 p. 30-33


Respostas dos Espíritos a algumas questões

Perg.  – Como podem os Espíritos obrar sobre a matéria? Parece isso contrário a todas as ideias que concebemos da natureza dos Espíritos.

Resp. – “Os homens entendem que o Espírito nada é; isso é um erro: dizemos que o Espírito é alguma coisa porque ele por si mesmo pode obrar; vosso mundo, porém, é muito grosseiro para que o possa fazer sem intermediário, isto é, sem o laço que une o Espírito à matéria.”

Observações – O laço que une o Espírito à matéria, sendo em si mesmo, se não imaterial, pelo menos impalpável, a questão não seria resolvida por essa resposta se não tivéssemos o exemplo de potências igualmente incoercíveis que obram sobre a matéria: assim é que o pensamento é a causa primeira de todos os nossos movimentos voluntários e que a eletricidade derruba, levanta e transporta massas inertes. Ilógico, portanto, seria concluir que uma coisa não existe só porque não a conhecemos. O Espírito pode dispor de meios que nos são desconhecidos; a natureza prova-nos quotidianamente que seu poder não para ao testemunho dos sentidos. Nos fenômenos espiríticos, a causa imediata é, sem contradição, um agente físico; mas a causa primeira é uma inteligência que obra sobre este agente, como nosso pensamento obra sobre nossos membros. Quando queremos bater é nosso braço que obra, não é o pensamento que bate: ele dirige o braço.

Perg. – Entre os Espíritos que produzem efeitos materiais, os que se chamam ruidosos formam uma categoria especial, ou antes, são os mesmos que produzem os movimentos e os barulhos?

Resp. – “Pode, certamente, o mesmo Espírito produzir efeitos muito diferentes; mas alguns há que mais particularmente ocupam-se de certas coisas, como entre vós os mestres de forja e os pelotiqueiros.”

Perg. – O Espírito que atua sobre os corpos sólidos, ou para movê-los, ou para bater, está ele na própria substância do corpo, ou antes, fora dessa substância?

Resp. – “Uma e outra coisa; temos dito que os Espíritos não encontram obstáculo na matéria; eles penetram tudo.”

Perg. – As manifestações materiais, como os ruídos, o movimento dos objetos e todos esses fenômenos que muitas vezes gosta-se de provocar, são produzidas indistintamente pelos Espíritos superiores e pelos Espíritos inferiores?

 Resp. – “Os Espíritos inferiores são os que se ocupam dessas coisas: os superiores algumas vezes servem-se deles, como farias tu de um mariola, a fim de induzir a ouvi-los. É possível acreditares que os Espíritos de uma ordem superior estejam às vossas ordens para divertir-vos com ditos picantes? É como se perguntasses a si em teu mundo, são homens instruídos e sérios que constituem a classe dos charlatães e dos pelotiqueiros.”

Nota. – Os Espíritos que se revelam por efeitos materiais são, em geral, de uma ordem inferior. Divertem ou maravilham aqueles para quem o espetáculo dos olhos tem mais atrativo do que o exercício da inteligência; são, de algum modo, os saltimbancos do mundo espirítico: algumas vezes obram espontaneamente, outras, por ordem dos Espíritos superiores.

Se um interesse mais sério oferecem as comunicações dos Espíritos superiores, as manifestações físicas têm igualmente sua utilidade para o observador; elas nos revelam forças desconhecidas na natureza e nos dão o meio de estudar o caráter e, se assim nos podemos exprimir, os costumes de todas as classes da população espirítica.

Perg. – Como provar que a potência oculta que obra nas manifestações espiríticas está fora do homem? Não se poderia pensar que reside nele mesmo, isto é, que o homem obra sob o impulso de seu próprio espírito?

Resp. – “Quando contra tua vontade e teu desejo alguma coisa se efetua, é certo que não foste tu que a produziste; muitas vezes; porém, és tu a alavanca de que o Espírito serve-se para obrar e tua vontade vem em seu apoio: podes ser um instrumento mais ou menos cômodo para ele.”

Nota. – É principalmente nas comunicações inteligentes que a intervenção de uma potência estranha torna-se patente. Quando essas comunicações são espontâneas e fora de nosso exame; quando resolvem questões cuja solução é desconhecida dos assistentes, preciso é, realmente, buscar a causa fora de nós. Torna-se isso evidente para todo aquele que observa os fatos com atenção e perseverança; a individuação de circunstâncias escapa sempre ao observador superficial.

Perg. – São todos os Espíritos aptos para dar manifestações inteligentes?

Resp. – “Sim, visto serem todos os Espíritos inteligências; mas, como os há de todos os graus, dá-se o mesmo entre vós, uns dizem coisas insignificantes ou estúpidas, outros coisas sensatas.”

Perg. – São todos os Espíritos aptos para compreender as questões que se lhes propõe?

Resp. – “Não; os Espíritos inferiores são incapazes de compreender certas questões, o que os não impede de responder bem ou mal: é ainda como se dá entre vós.”

Nota. – Por aí vê-se quanto é essencial pôr-se em guarda contra a crença no saber indefinido dos Espíritos. Dá-se com eles, o mesmo que dá-se com os homens. Não basta interrogar ao primeiro que chega para ter uma resposta sensata: preciso é sabermos a quem nos dirigimos.

Quem quer conhecer os costumes de um povo, deve estudá-lo de alto a baixo; ver somente uma classe é fazer dele uma ideia falsa, julgando o todo pela parte. A multidão dos Espíritos é como as nossas multidões; há de tudo: – bom, mau, sublime, trivial, saber e ignorância. Quem não os tem observado como filósofo em todos os graus não pode lisonjear-se de conhecê-los. As manifestações físicas nos fazem conhecer os Espíritos de baixa condição; é a rua, é a choupana.

As comunicações instrutivas e eruditas põe-nos em relação com os Espíritos elevados; é a escolha da sociedade: – o palácio, o instituto.


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