Comunicação da Revue Spirite de 1867. Humbolt (espírito). Médium Mlle M.

Periódico: O Eco d’além-Túmulo

Salvador, Bahia – Julho de 1869, número 1, p. 46-48


Questão – Maravilhado das experiências magnéticas que tenho lido na Vérité[1] de 1866, pensava comigo que força tão pasmosa podia, talvez, ser a causa de todas as maravilhas, de todas as belezas para nós incompreensíveis dos planetas superiores e cujas descrições os Espíritos nos dão. Rogo aos bons Espíritos se dignem esclarecer-me sobre este assunto.

Resposta – Pobres homens! A avidez de saber, a impaciência ardente de ler no livro da criação, tudo vos altera a razão e deslumbra vossos olhos habituados à obscuridade, quando deparam algumas passagens, que vosso Espírito, ainda escravo da matéria, não pode compreender. Mas, tende paciência, os tempos são chegados. Já o Grande Arquiteto começa a desenrolar paulatinamente diante de vossos olhos o plano do edifício do universo, já ele levanta uma ponta do véu que vos oculta a verdade e um raio de luz vos ilumina. Contentai-vos com essas premissas; habituai vossos olhos à suave claridade da aurora até que possam eles suportar o esplendor do sol brilhando em todo o seu fulgor.

Agradecei ao Onipotente, cuja bondade infinita poupa vossa fraca vista, levantando gradualmente o véu que a cobre. Se o levantasse de súbito, serieis deslumbrados e nada veríeis; recairíeis na dúvida, na confusão, na ignorância donde apenas saís. Já vos foi dito que tudo vem a seu tempo: não o antecipeis por vossa demasiada avidez de tudo saber. Deixai ao MESTRE a escolha do método, que Ele julga o mais convinhável para instruir-vos. Diante de vós tendes uma sublime obra – “a natureza, sua essência, suas forças”; – começa pelo A B C. Aprendei, pois, a soletrar primeiro e a compreender essas primeiras páginas; progredi com paciência e perseverança e chegareis ao fim, enquanto que saltando páginas e capítulos o todo vos parece incompreensível; além de que não está nos desígnios do Onipotente que o homem saiba tudo. Conformai-vos, portanto, com sua vontade, ela tem por fim o vosso bem.

Lede no grande livro da natureza; instruí-vos, esclarecei vosso espírito, contentai-vos de saber o que DEUS julga oportuno ensinar-vos durante vossa estada na terra; não tereis tempo de chegar à última página: só a lereis, quando estiverdes desprendido da matéria, quando vossos sentidos espiritualizados vos permitirem compreendê-la.

Sim, meus amigos, aprendei e instruí-vos e antes de tudo progredi em moralidade pelo amor do próximo, pela caridade, pela fé: é isso o essencial, é o passaporte à vista do qual vos são abertas as portas do santuário infinito.”

HUMBOLDT

[1] A Verité é um periódico que em Lyon se publicava, consagrado aos estudos espiríticos e que desde março de 1867 tomou um título da maior amplitude; é o seguinte: La Tribune Universelle, journal de la libre conscience et de la libre pensée.


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