Breve biografia de Allan Kardec, por Luis Olímpio Teles de Menezes

Periódico: O Eco d’além-Túmulo

Salvador, Bahia – setembro de 1869, número2 , p. 60-68


É um dever, que cumprimos, comunicando aos assinantes do Echo d’Além-Túmulo que o venerando mestre dos Espíritas, o fundador da consoladora doutrina filosóficoreligiosa – O ESPIRITISMO, na grande capital da França, no dia 31 de março do presente ano, súbita e inesperadamente partiu para o mundo dos Espíritos, contando de idade 64 anos e cinco meses.

Mr. Allan Kardec parecia, certamente, pressentir seu fim próximo, quando em dezembro do passado ano publicou a constituição transitória do Espiritismo, na qual se acha exposto o plano de organização nova, que devia colocar a sociedade espírita em estado de manter-se sem seu apoio; e porque, entre as considerações preliminares desse trabalho, diz ele: – “Bem que o Espiritismo ainda não tenha dito sua última palavra sobre todos os pontos, aproxima-se de seu complemento e não está longe a ocasião em que preciso será dar-lhe uma base forte e duradoura, suscetível, todavia de receber todos os desenvolvimentos que as circunstâncias ulteriores comportarem e dando toda segurança aos que procuram saber quem, depois de nós, terá de assumir sua direção. Em outro lugar, tratando ele da sociedade, diz: – Em vez de um chefe único, a direção será cometida a um conselho central ou superior permanente, etc. E depois observa ainda: – Para o público estrangeiro um corpo constituído tem mais ascendência e preponderância; sobretudo contra os adversários apresenta ele força de resistência, possui meios de ação que não poderia ter um indivíduo; luta com vantagem infinitamente maior… …………Há igualmente num ser coletivo uma garantia de estabilidade que não existe quando tudo repousa sobre uma única cabeça; seja por uma causa qualquer impedido o indivíduo, tudo pode ser estorvado: pelo contrário um ser coletivo perpetua-se incessantemente; perca ele um ou muitos de seus membros, nada periga.”

Por uma carta que recebemos de nosso correspondente na França, foi-nos comunicado que Mr. Allan Kardec por seu testamento legou à Sociedade Espírita fortuna muito superior a cem contos; o que bem se verifica pelas seguintes verbas: 210 mil fr. de dons gratuitos, que havia recebido, cerca de 25 mil fr. por ano, produto de suas obras espiríticas e sua propriedade de Segur avaliada em 100 mil fr., a qual só pertencerá definitivamente à Sociedade depois da morte de Mme Kardec.

À vista de seus papeis prosseguir-se-á em sua tarefa: – Fundação de uma caixa espirítica e construção de um asilo para a velhice.

Era ele presidente da Sociedade Parisiense dos Estudos Espiríticos que fundara em 1858, com autorização do prefeito de polícia, segundo o parecer do ministro do interior e da segurança geral.

Reunida a Sociedade em 9 de abril sob a presidência de Mr. Levent, foi escolhido presidente Mr. Malet, coronel de engenheiros e Oficial da Legião de honra, satisfazendo-se assim as intenções de Mr. Allan Kardec, que resolvido a não aceitar mais que a presidência honorária, reservava-se para no presente ano apresentar Mr. Malet como candidato à presidência, segundo o plano de organização que se propunha dar; e nessas bases ficou composto o Conselho central diretor de 1869 a 1870 do seguinte modo:

Mr. Malet – Presidente

Mr. Levent – Vice-Presidente

Mr. Desliens – Secretário

Mr. Ravan – Secretário adjunto

Mr. Canaguier

Mr. Tailleur, e

Mr. Dellanne, que será encarregado de visitar os grupos espíritas das províncias.

Acerca do fundador da doutrina espírita nada podemos acrescentar ao que tão eloquentemente foi dito pela Revista Espirítica de Paris no seu nº 5 de maio do presente ano.

Transcrevendo para o Echo d’ Além Túmulo essas excelentes páginas, aplaudimo-nos de assim podermos cá do Brasil, associando-nos aos nossos irmãos Espíritas d’além-mar, dar um testemunho de nosso amor e de nossa veneração a essa inteligência privilegiada, a esse coração que se abrasava no sublime e evangélico sentimento da caridade.

“É sob a pressão da dor profunda, causada pela partida prematura do venerável fundador da doutrina espirítica, que encetamos uma tarefa, simples e fácil para suas mãos sábias e experimentadas, mas cujo peso e gravidade nos acabrunhariam se não contássemos com o concurso eficaz dos bons Espíritos e com a indulgência de nossos leitores.

Quem, sem a pecha de presunção, poderia entre nós lisonjear-se de possuir o espírito de método e de organização de que se iluminam todos os trabalhos do mestre? Só sua possante inteligência podia concentrar tantos materiais diversos, triturá-los e transformá-los, para depois espalhá-los como um orvalho beneficente sobre as almas desejosas de conhecer e amar.

Incisivo, conciso e profundo, sabia agradar e fazer-se compreender em uma linguagem a um tempo simples e elevada, tão afastado do estilo familiar, quanto das obscuridades da metafísica.

Multiplicando-se constantemente, havia ele podido até aqui ser suficiente a tudo; entretanto o crescimento quotidiano de suas relações e o desenvolvimento incessante do Espiritismo faziam-lhe sentir a necessidade de associar a si alguns ajudantes inteligentes; e preparava simultaneamente, a organização nova da doutrina e de seus trabalhos, quando deixou-nos para em um mundo melhor ir recolher a sanção da missão consumada e reunir os elementos de uma nova obra de dedicação e de seu sacrifício.

Ele era só!… Nós nos chamaremos LEGIÃO; e por mais fracos e inexperientes que sejamos, temos íntima convicção de que nos manteremos na altura da situação, se, partindo dos princípios estabelecidos e de uma evidencia incontestável, nos empenharmos em executar tanto, quanto nos for possível e segundo as necessidades da ocasião, os projetos futuros que M. Allan Kardec propunha-se, pessoalmente, realizar.

Enquanto nos mantivermos no caminho por ele traçado, e se unirem todas as boas vontades em um comum esforço para o progresso e para a regeneração intelectual e moral da humanidade, o Espírito do grande filósofo estará conosco e auxiliar-nos há com sua poderosa influência. Oxalá supra ele nossa insuficiência e nos tornemos dignos de seu concurso, consagrando-nos a esse trabalho, se não com tanta ciência e tanta inteligência, ao menos com suficiente dedicação e sinceridade!

Em sua bandeira tinha ele inscrito estas palavras: Trabalho, solidariedade, tolerância. Sejamos, como ele, infatigáveis; segundo seus votos, sejamos TOLERANTES E SOLIDÁRIOS e não receiemos seguir seu exemplo reconsiderando vinte vezes os princípios ainda discutidos. Apelamos para o concurso de todos e para todas as luzes. Procuraremos caminhar antes com certeza do que com rapidez e nossos esforços não serão infrutuosos, se como estamos persuadidos, e como seremos os primeiros a dar o exemplo, cada qual se empenhar em cumprir seu dever, pondo de parte toda questão pessoal, a fim de contribuir para o bem geral.

Não poderíamos entrar sob auspícios mais favoráveis na nova fase que se abre para o Espiritismo, como fazendo conhecer à nossos leitores, em um rápido esboço, o que foi ele toda sua vida – o homem íntegro e honrado, o sábio inteligente e fecundo, cuja memória se transmitirá aos séculos futuros, rodeado da auréola dos benfeitores da humanidade.

Nascido em Lyon a 3 de outubro de 1804, de uma antiga família distinta na magistratura e na tribuna, M. Allan Kardec (Leon-Hippolyte-Denizart Rivail) não seguir essa carreira. Desde sua mocidade sentia-se atraído para o estudo das ciências e da filosofia.

Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos discípulos mais eminentes desse celebre professor e um dos propagadores mais zelosos de seu sistema de educação, que há exercido uma grande influencia sobre a reforma dos estudos na Alemanha e na França.

Dotado de uma inteligência notável e atraído para o ensino por seu caráter e suas aptidões especiais, desde os quatorze anos ensinava ele o que sabia aos seus condiscípulos, que menos do que ele haviam adquirido. Foi nesta escola que se desenvolveram as ideias que mais tarde deviam colocá-lo na classe dos homens do progresso e dos livres-pensadores.

Nascido na religião católica, mas educado num país protestante, os atos de intolerância que teve de experimentar a este respeito, o fizeram, desde logo, conceber a ideia de uma reforma religiosa, em que, reservadamente trabalhou durante anos, com o pensamento de conseguir a unificação das crenças; faltava-lhe, porém, o elemento indispensável para a solução desse grande problema.

O Espiritismo veio mais tarde lhe proporcionar e imprimir uma direção especial a seus trabalhos.

Concluídos seus estudos, veio para a França. Conhecendo a fundo a língua alemã, traduziu para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral e o que é característico, as obras de Fenelon, que particularmente, o tinham seduzido.

Era membro de muitas sociedades científicas, entre outras, da Academia real de Arras, que, em seu concurso de 1831, o coroou por uma memória notável sobre esta questão: -“Qual é o sistema de estudos em harmonia com as necessidades da época?”

Desde 1835 até 1840 fundou em seu domicílio, Rua de Sèvres, cursos gratuitos onde ensinava química, física, anatomia, etc.; empresa digna de elogios em todos os tempos, sobretudo, porém, em uma época em que um circunscrito número de inteligências se aventuravam a entrar nesse caminho.

Constantemente preocupado em tornar atraentes e interessantes os sistemas de educação, inventou ao mesmo tempo um método engenhoso para aprender a contar e um quadro mnemônico da história de França, tendo por objeto fixar na memória as datas dos acontecimentos notáveis e das grandes descobertas que ilustraram cada reinado.

Entre suas numerosas obras de educação citaremos as seguintes: Plano proposto para o melhoramento da instrução publica (1828); Curso prático e teórico de aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos instituidores e das mães de famílias (1829); Gramática francesa clássica (1831); Manual dos exames para os diplomas de suficiência; soluções racionais de questões e problemas de aritmética e de geometria (1846); Catecismo gramatical da língua francesa (1848); Programa dos cursos usuais de química, física, astronomia, filosofia, de que era professor no LYCEO POLIMÁTICO; Temas normais da casa da camara e da Sorbona, acompanhados de Temas especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849), obra estimadíssima na época de seu aparecimento e da qual, ainda recentemente, ele fazia tirar novas edições.

Antes que o Espiritismo viesse popularizar o pseudônimo Allan Kardec, tinha ele, como se acaba de ver, sabido ilustrar-se por trabalhos de natureza mui diferente, tendo, porém por objeto esclarecer as multidões e liga-las mais à sua família e a seu país.

Em 1850, logo que surgiu a questão das manifestações dos Espíritos, M. Allan Kardec entregou-se a observações perseverantes sobre esse fenômeno, empenhando-se, principalmente, em deduzir suas consequências filosóficas.

Desde então divisou nelas o princípio de novas leis naturais: as que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível; reconheceu na ação deste uma das forças da natureza cujo conhecimento devia lançar luz sobre muitos problemas, reputados insolúveis, compreendendo seu alcance no ponto de vista religioso.

Suas principais obras sobre essa matéria são: O Livro dos Espíritos (Le Livre des Esprits) para a parte filosófica e cuja primeira edição apareceu em 18 de abril de 1857; O Livro dos Médiuns (Le Livre des Mediums) para a parte experimental e científica (janeiro de 1861); o Evangelho segundo o Espiritismo (l’Evangile selon Le Spiritisme) para a parte moral (abril de 1864); o Céu e o Inferno (Le Ciel et l’Enfer) ou a justiça de Deus segundo o Espiritismo (agosto de 1865); o Gênesis, os milagres e as predições (La Genèse, les miracles et les predictions) (janeiro de 1868); a Revista Espirítica, jornal de estudos psicológicos (La Revue Spirite, journal d’études psychologiques) coleção mensal começada em 1º de janeiro de 1858. Fundou em Paris, em 1º de abril de 1858, a primeira Sociedade Espírita regularmente constituída, com a denominação de Sociedade parisiense dos estudos Espiríticos (Societé parisienne des études Spirites) cujo fim exclusivo é o estudo de tudo quanto pode contribuir para o progresso dessa nova ciência. M. Allan Kardec exime-se convinhavilmente de haver escrito coisa alguma sob a influência de ideias preconcebidas ou sistemáticas; homem de um caráter frio e calmo observou os fatos e de suas observações deduziu as leis que os regem e foi o primeiro que deu sua teoria e delas formou um corpo metódico e regular.

Demonstrando que os fatos, falsamente, qualificados de sobrenaturais são submetidos a leis, fá-los entrar na ordem dos fenômenos da natureza, destruindo d’est’arte (dessa forma?) o último refúgio do maravilhoso e um dos elementos da supertição.

Durante os primeiros tempos, em que agitou-se a questão dos fenômenos espíritas, foram essas manifestações antes um objeto de curiosidade do que um assunto de meditações sérias; Le Livre des Esprits fez encarar a coisa debaixo de um outro aspecto; as mesas girantes foram postas de lado, tinham apenas sido um prelúdio e constituiu-se um corpo de doutrina que abrangesse todas as questões que interessam à humanidade.

Do aparecimento do Livro dos Espíritos data a verdadeira fundação do Espiritismo que até então não possuíra senão elementos esparsos sem coordenação e cujo alcance não havia podido ser por todos compreendido; também a partir daí a doutrina fixou a atenção dos homens sérios e tomou um desenvolvimento rápido. Em poucos anos essas ideias encontraram numerosos aderentes em todas as ordens da sociedade e em todos os países. Este sucesso sem precedente provém, indubitavelmente, das simpatias que essas ideias têm encontrado, mas é também devido, em grande parte, à clareza que é um dos caracteres distintivos dos escritos de Allan Kardec.

Abstendo-se das fórmulas abstratas da metafísica, o autor soube fazer-se ler sem fadiga, condição essencial para a vulgarização de uma ideia. Sobre todos os pontos de controvérsia, sua argumentação de uma lógica cerrada, pouco ensejo oferece à refutação e predispõe à convicção. As provas materiais que dá o Espiritismo da existência da alma e da vida futura tendem à destruição das ideias materialistas e panteístas. Um dos princípios mais fecundos desta doutrina e que dimana do precedente, é o da pluralidade das existências, entrevisto já por bom número de filósofos antigos e modernos, e nestes últimos tempos por Jean Raynaud, Charles Fourier, Eugène Sue e outros; mas ficara em estado de hipótese e de sistema, enquanto que o Espiritismo demonstra sua realidade e prova que é um dos atributos essenciais da humanidade. Deste princípio deriva a solução de todas as anomalias aparentes da vida humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais; o homem sabe assim de onde vem, aonde vai, para que fim está sobre a terra e porque nela sofre.

Explicam-se as ideias inatas pelos conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores; a marcha dos povos e da humanidade pelos homens dos tempos passados que tornam a viver depois de ter progredido; as simpatias e as antipatias pela natureza das relações anteriores; essas relações que reatam a grande família humana de todas as épocas dão por base as próprias leis da natureza e não mais uma teoria, aos grandes princípios de fraternidade, de igualdade, de liberdade e de solidariedade universal.

Em vez do princípio: Fora da Igreja não há salvação, que entretém a divisão e a animosidade entre as diferentes seitas e que tanto sangue há feito derramar, o Espiritismo tem por máxima: Fora da Caridade não há salvação, isto é, a igualdade entre os homens diante de Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e a mútua benevolência.

“Ao invés da fé cega, que aniquila a liberdade de pensar, diz: Fé inabalável é somente aquela, que, em todos os tempos, pode encarar a razão face a face. A fé precisa de base e essa base é a inteligência perfeita daquilo que se deve crer; para crer não basta ver, mister é, sobretudo, compreender. A fé cega não é mais deste século; e, pois, precisamente o dogma da fé cega que faz hoje o maior número de incrédulos, porque quer impor-se e porque exige a abdicação de uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o livre arbítrio.” (Evangile selon Le Spiritisme).

Trabalhador infatigável, sempre o primeiro e último nesse trabalho, Allan Kardec sucumbiu no meio dos preparativos de uma mudança de local, que lhe era necessária pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações. Não poucas obras que estavam a ponto de ser concluídas ou que esperavam oportunidade para aparecer, um dia virão provar ainda mais a extensão e o poder de suas concepções.

Morreu como viveu, trabalhando. Há muitos anos sofria de uma moléstia de coração que somente podia ser combatida pelo repouso intelectual e uma certa atividade material; mas entregue todo à seu trabalho, recusava-se a tudo quanto pudesse absorver um de seus instantes à custa de suas ocupações de predileção. Nele, como em todas as almas de alta têmpera, a espada gastou a bainha.

Seu corpo alquebrava-se e recusava-lhe seus serviços, mas seu espírito, mais vivo, mais enérgico, mais fecundo, estendia cada vez mais o círculo de sua atividade.

Nesta luta desigual não podia a matéria, eternamente, resistir. Um dia foi ela vencida; rompeu-se o aneurisma e Allan Kardec caiu fulminado. Faltava um homem na terra; mas um grande nome tomava assento entre as ilustrações deste século, um grande Espírito ia retemperar-se no infinito, onde todos aqueles que havia ele consolado e esclarecido, impacientes, esperavam sua chegada! – “A morte, dizia ele ainda há pouco, fere com intensidade nas classes ilustres!… A quem virá ela agora libertar?”

Depois de tantos outros foi ele retemperar-se no espaço, procurar novos elementos para renovar seu organismo gasto por uma vida de incessantes fadigas. Partiu com aquele que serão os faróis da nova geração, para em breve voltar com eles, continuar e acabar a obra deixada entre mãos devotadas.

Não existe mais o homem, mas a alma ficará entre nós; é um protetor seguro, uma luz a mais, um trabalhador infatigável que foi aumentar as falanges do espaço. Sem que ofenda alguém, ele saberá, como o fez na terra, dar a cada um conselhos convenientes; moderará o zelo prematura dos ardentes, auxiliará os sinceros e os desinteressados e estimulará os tíbios. Vê e sabe hoje tudo quanto previa ainda há pouco. Não está mais sujeito nem às incertezas, nem ao desânimo e nos fará compartilhar sua convicção, fazendo-nos tocar com o dedo o alvo, designando-nos o caminho nessa linguagem clara, precisa de que fez um tipo nos anais literários.

Não existe mais o homem, repetimo-lo, mas Allan Kardec é imortal e sua lembrança, seus trabalhos, seu Espírito estarão sempre com aqueles, que com firmeza e altitude sustentarem a bandeira que ele sempre soube fazer respeitar.

Uma individualidade poderosa constituiu a obra; era o guia e a luz de todos. Na terra e para nós a obra ocupará o lugar do indivíduo. Não nos reuniremos em derredor de Allan Kardec, reunir-nos-emos em derredor do Espiritismo tal como ele o constituiu e por seus conselhos, sob sua influência, caminharemos com passo firme para as fases felizes prometidas à humanidade regeneradora.”


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