Reencarnações Sucessivas – por S. Luís (espírito) + comentário de Allan Kardec


Periódico: Reencarnação

Porto Alegre, ano 1 n.1, outubro de 1934


Reencarnações Sucessivas

 Transcrevemos aqui as importantes instruções dos espíritos a respeito dos limites e necessidades das encarnações sucessivas.

Limites da encarnação: “Propriamente falando, a encarnação não tem limites distintamente traçados, se por ela se entende o envoltório que constitui o corpo do Espírito, visto que a materialidade desse envoltório diminui à medida que o Espírito se apura. Em certos mundos mais adiantados do que a Terra, ela é menos compacta, menos pesada e grosseira e, por conseguinte, menos sujeita a vicissitudes; em um grau mais elevado torna-se diáfana e quase fluídica; de grau em grau, desmaterializa-se e acaba por se confundir com o perispírito. Conforme a natureza do mundo onde o Espírito é chamado a viver, este toma o envoltório apropriado à natureza desse mundo.

O próprio perispírito passa por transformações sucessivas; eteriza-se cada vez mais até a completa depuração que constitui os Espíritos puros.

Se esferas especiais são destinadas, como estações, a Espíritos muito adiantados, estes não lhes ficam ligados como nos planetas inferiores; o estado de desprendimento em que se acham; permite-lhes transportar-se a toda a parte, no desempenho das missões que lhes são confiadas.

Se se considerar a encarnação sob o aspecto material, como na Terra, pode-se dizer que a encarnação é limitada aos mundos inferiores; depende do Espírito, por consequência, dela se libertar mais ou menos prontamente, trabalhando para a sua purificação.

Deve-se considerar também que no estado errante, isto é, no intervalo das existências corporais, a situação do Espírito está em relação com a natureza do mundo a que o liga seu grau de adiantamento; assim, na erraticidade é mais ou menos feliz, livre e esclarecido, conforme é mais ou menos desmaterializado.”

Necessidades da encarnação: “A passagem dos Espíritos pela vida corpórea é necessária para que possam cumprir por meio de uma ação material os desígnios cuja execução Deus lhes confia; lhes é ainda necessária, porque auxilia o progresso de sua inteligência com a atividade que são obrigados a desenvolver. Sendo Deus soberanamente justo, deve dotar igualmente a todos os seus filhos, e é por isso que lhes assina o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de agir; todo o privilégio importaria em preferência e toda a preferência em injustiça; mas a encarnação é apenas um estado transitório para todos os Espíritos, uma tarefa que Deus lhes impõe à sua estreia na vida, como primeira prova do uso que farão do livre arbítrio. Os que desempenham essa tarefa com zelo, percorrem rápida e menos dificultosamente esses primeiros graus de iniciação e mais cedo gozam do fruto dos seus labores. Ao contrário, os que fazem mau uso da liberdade que Deus lhes concede, retardam o seu adiantamento; é assim que, por sua obstinação, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação, tornando-se ela então um verdadeiro castigo (S. LUIZ- Paris, 1859)”.

A respeito das instruções acima, Allan Kardec acrescentou a seguinte nota:

“Uma comparação vulgar fará melhor compreender essa diferença. O aluno não alcança todos os graus da ciência senão depois de percorrer sucessivamente uma série de classes, que seja qual for o trabalho exigido, são um meio de atingir o fim, e não uma punição. O aluno laborioso abrevia o caminho e acha nele menos tropeços; mas diversamente acontece àquele que por negligência e preguiça é obrigado a recomeçar o estudo de certas classes. Não é no trabalho de classe que está a punição, mas na obrigação de recomeçá-lo.

Assim acontece ao homem na Terra. Para o Espírito do selvagem, que está quase no início da vida espiritual, a encarnação é o meio de lhe desenvolver a inteligência, mas para o homem esclarecido, cujo senso moral é largamente desenvolvido, e que é obrigado a repetir as etapas de uma vida corporal cheia de angústias, quando já poderia ter alcançado a meta, ela é um castigo, pela necessidade em que o homem teve de prolongar a sua estação nos mundos infelizes e inferiores. Aquele que, ao contrário, trabalha ativamente pelo seu progresso moral, pode não somente abreviar a duração da existência material, mas também franquear de uma só vez os graus intermediários que o separam dos planetas superiores.

Poderiam os Espíritos encarnar-se uma só vez no mesmo globo e cumprir as suas diferentes existências em esferas diversas?

Esta opinião só seria admissível se todos os homens estivessem na Terra exatamente no mesmo nível moral e intelectual. As diferenças entre eles existentes, desde o selvagem até o homem civilizado, mostram claramente os graus que têm de transpôr.

Demais, a encarnação deve ter um fim útil; ora qual seria a utilidade das encarnações efêmeras das crianças que morrem em tenra idade? Teriam sido sem proveito algum, quer para si quer para os outros.

Deus, que legislou tão soberana e sabiamente, nada faz de inútil; pela reencarnação no mesmo globo, quis que os mesmos Espíritos, achando-se de novo em contato, tivessem ocasião de reparar as faltas recíprocas; pela preexistência das relações entre os Espíritos, quis, além disso, dar à família um fundamento espiritual e assentar em uma lei da natureza os princípios de igualdade, fraternidade e solidariedade”.


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